“Let’s shake some dust!”

Ao virar da primeira temporada de Carnivàle apercebo-me de um facto: é a melhor série sobrenatural que aí anda. Ou andava, até que a HBO decidiu cancelá-la no fim da segunda temporada, nos idos 2005. Sim, já é velhota e por alguma razão que me escapa completamente, ninguém que conheça a viu alguma vez.

É tudo muito subtil; acontece uma coisa estranha aqui, outra coisa ainda mais estranha ali; percebemos que há poderes inexplicáveis em movimento e engrenagens cósmicas que os guiam na direcção uns dos outros. Personagens misteriosas e outras que se lhes tira a pinta logo no início, umas bizarras, outras mundanas, uma malévolas, outras lunáticas e outras ainda tão bondosas que até metem impressão; tudo, ou quase tudo, encafuado numa feira itinerante que na verdade gira à volta de um fugitivo, de um padre, de um ex-artista fenomenal e de uma voz atrás de uma cortina. Daniel Kauf, a imaginação da série, conseguiu criar ali uma mitologia que só posso apelidar de fascinante. “Criar” é uma forma de expressão, claro. Na verdade Kauf teceu aquela cosmogonia com pedaços de diversas mitologias, desde a Hindu à Cristã, mas fê-lo de uma forma tão subtil e agradável que daria de bom grado um ou dois dedos para tê-lo imaginado antes dele.

Nem vou falar na caracterização e atenção ao detalhe por parte da produção. Nem no fantástico elenco. Não vale a pena. Veja por si próprio, e se ao fim do primeiro episódio não estiver minimamente curioso com o que ali anda a rodar, veja o segundo. Aposto que a partir desse já não a larga. Ainda que sejam apenas duas temporadas e passem enquanto o Padre Justin esfrega um olho  – ups, um spoiler! Digo-lhe que vale bem a pena o sacrifício.

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