Posted in Fevereiro 2012

Prospecção Mineralógica de Fim de Semana

Gente de extrema finura teve o bom gosto de me ofertar meia dúzia de calhaus nos quais tropeçaram durante um passeio em fértil jazida. O passeio deu-se numa das 184.952 pedreiras de Estremoz, e conhecida é a fertilidade daquela terra em termos de metamórficos carbonatados, neste caso particular, mármore. E o que é que o mármore tem? Tem carbonato de cálcio, tem! E portanto tem calcites, tem! E foi isso mesmo que a supracitada gente de extrema finura me trouxe: meia dúzia de amostras de Calcite, das quais ali em cima se apresenta um espécime. Está um pouco erodida e sem brilho, porém é sem dúvida a mais fotogénica de todas. Não querendo ferir susceptibilidades, e longe de não me mostrar grato, tenho um conselho a dar a outra gente de extrema finura que tropece em jazidas deste género e queira surripiar à terra aquilo que ela dá de livre vontade: manuseie os calhaus com cuidado. Embrulhe-os para transporte, nem que seja em papel do Correio da Manhã, mas proteja-o e lave-o com cuidado. A calcite, por exemplo, tem dureza 3 em 10, o que significa que se a enfiar num saco sem proteger cada uma das peças o mais certo é chegar a casa com elas todas partidas em romboedros, ou no mínimo todas riscadas e com linhas de fractura. E é uma pena tirar da mochila um cristal que estava perfeito quando foi achado, mas já não está. Mais, quando um pedaço de rocha matriz estiver a atrapalhar, não precisa de invocar toda a força dos seus antepassados guerreiros para a partir: pancadas firmes e secas fazem o mesmo e poupam possíveis preciosidades escondidas na rocha. Se não tiver as calosidades nas mãos típicas de um trabalhador a sério, não se envergonhe e calce umas luvas, mas é muito importante que segure a pedra na mão e a pancada seja dada no sitio certo – da pedra, não da mão. É mais jeito que força, como diziam os antigos.

É que a Terra demora uns milhões de anos a fazer estas coisinhas todas bonitas e o caralho, mas é necessário só um bocadinho de brutidade humana para destruir aquilo. E digo isto com plena consciência do animal em que me transformo quando vou aos calhaus; lembrando-me também daquela vez em que destruí uma Celestite porque lhe dei banho em água; e da outra em fiz desaparecer 70% da cobertura de Libetenite de uma amostra encontrada. Por isso sei bem do que falo. Todo o cuidado é pouco, nestas merdas, e o que aqui aconselho é o mais básico que há mas no final de contas já é alguma coisa.

E mais uma vez, obrigado às gentes de extrema finura.

Curtas e Grossas – Episódio 3

Sendo domingo, o dia sagrado por excelência em que só apetece sofá & cinema ou café & minis, e focando-me portanto no primeiro binómio, deixo-lhe aqui quatro peças quatro de cinefilia curta mas portentosa. Deus deu a imaginação ao Homem por causa destas merdas, e bem assim, o Egosciente assume-se como alternativa às tardes televisivas de domingo.

Carrot Crazy

A caça ao coelho no seu melhor nível competitivo. Também se poderia chamar engate ao coelho, já que nem uma pistolinha usam, os anormais. Por Dylan Vanwormer e Logan Scelina, como tese na Ringling College of Art and Design.

Got Fire?

A guerra do fogo entre Cro-magnons e Neadertais. Nunca estivemos lá para ter a certeza, mas não há razões nenhumas para que não pudesse ter sido assim. Realizada por Mickaël Bellamy, Coralie Braconnot, Franck Delfortrie e Julien Jamme, para ESMA em Montpellier, na França.

Dr Grordbort Presents: The Deadliest Game

Um safari por territórios nunca antes vistos e férteis de criaturas perígosíssimas. Steampunk de braço dado com uma grande imaginação. Ah, e um inglês, claro. Um projecto da Media Design School, liderado por James Cunningham com a ajuda de 11 alunos. A história é baseada no universo do Dr. Grordbort, criado por Greg Broadmore.

Möbius

Um jornalista tropeça numa execução levada a cabo por um cartel de droga no México. Por Vincent Laforet.

E pronto, é isto. Pode sair da sala se quiser mas antes vai buscar uma vassoura e limpar essas pipocas caídas no chão. Porco. E depois já pode voltar ao filme da SIC que nunca ninguém viu, ou às séries da RTP e TVI, ou ainda ao desporto da 2. Vá, ande lá, pire-se daqui, seu ingrato.

O P.R.A. é o que fazes com ele

No curso técnico que frequento surgiu-me uma novidade em metodologia pedagógica: o Portefólio Reflexivo de Aprendizagens. Já tinha ouvido falar do animal referido como “aquilo em que as pessoas contam a vida toda delas”, ou por “seca do caralho”, e outras coisas mais ou menos simpáticas mas sempre sempre ditas com sorriso desdenhoso.

Para alguns é uma verdadeira dor de cabeça, para outros um mal menor e para a esmagadora maioria deles uma inutilidade absoluta. Note-se que só não disse “para todos eles” nesta última parte porque não sei a opinião de toda a gente. Ora, para que raio nos iremos dar ao trabalho de compilar todos os nossos feitos durante o curso se em princípio a nota de cada módulo fala por si? Dizem-nos que os possíveis interessados no nosso trabalho irão consultar o PRA num futuro próximo e que servirá sobretudo para ganharmos – ou perdermos – a atenção de alguém que pagará o nosso ordenado. Porque num cenário desejável a entidade contratante interessa-se muitíssimo pelo que o um gajo pensa e aprendeu. Dito isto, relembro que estamos em Portugal, onde, apesar da crise e dos seus efeitos filtradores de incompetências, o famigerado factor C tem um peso extraordinário como método de recrutamento.

Todavia, eu como eterno romântico e com uma fé quase inabalável no bom senso humano – apenas suplantada pela fé que tenho na estupidez humana -, acredito que esse tal de PRA terá efectivamente o seu peso quando alguém o decidir consultar com a intenção de me conhecer como formando/profissional. Talvez num futuro distante, quem sabe?

O que é um facto é que quer alguém o consulte quer não, estou a gostar da experiência. Antes de mais, porque me obriga a escrever; e escrever é bom, organiza os pensamentos, revivem-se as aprendizagens e cristalizam-se os conhecimentos. Depois, porque me obriga a pensar numa maneira de estruturar a coisa de modo a ser fácil de consultar, agradável à vista de um modo não piroso, todo funcional e barato. E no fim, porque gosto destas merdas. Não me babo de amores, mas lá que gosto é um facto. Portanto, quer alguém o leia quer não estou a cumprir da melhor maneira que me é possível o que me foi pedido, e mais que isso, estou a gostar.

Em altura oportuna divulgarei o endereço. Até porque é mesmo essa a ideia.

De focinho lavado

Eu avisei no Twitter. Se não me segue, devia, mas se não tem Twitter também não o censuro; a verdade é que esta lavagem de cara já peca por tardar. Não que isto mereça o esforço, porque a meia dúzia de transeuntes viria cá mesmo que o layout tivesse flores ao canto e beijinhos a saltar à frente do cursor (assim confesso eu a minha inépcia na programação CSS ou no domínio de flash e tecnologias modernas do género). E se isto não merece o esforço e é tão vazio de pessoas e conteúdo como o Espaço Sideral, a responsabilidade é única e exclusivamente minha. Todavia, nunca tentou ser mais do que é: a minha caixa de areia. Ao lavar-se a cara aqui à taberna tenta-se sobretudo estimular a ressurreição do hábito de usar isto como tela em branco, ao invés de ser apenas mais um blog de copy/paste com meia dúzia de larachas mal amanhadas lá no meio. Tenta-se mudar, mas não se garante sucesso.

Como também avisei no Twitter, a barra de links desapareceu. Não se ofendam os titulares desses links, porque eles estão bem guardadinhos ali em cima no Chrome (ganda browser, já agora) e serão clicados tão amiúde como antes. Talvez se possa pensar que se perde em divulgação e partilha de contactos, mas também arrisco-me a dizer que a costumeira meia dúzia de tresmalhados que aqui vem não será suficiente para abrilhantar as suas estatísticas. Além do mais, a coleção de links precisava de uma actualização: uns já estavam mortos, outros ainda não mas quase, e o resto simplesmente não tem interesse nenhum. Ainda se salvaram os bantantes para ter que fazer scroll down na lista de favoritos, não se preocupe.

Não que tenha muito a ver, mas se lhe fizer confusão a adopção intermitente do Acordo Ortogáfico, não se espante. É mesmo isso que acabei de dizer: uma adoção intermitente do Acordo Ortographico. Porque há umas palavras que gosto mais de uma maneira e outras de outra. O “adoção” ali atrás foi só para me meter consigo.

Gif a cargo de IWDRM, obviamente.

Gostar de insectos

Weta Gigante, saído de uma qualquer toca da Nova Zelândia. Ora digam lá se não é um amor de bicho? É um coelhinho na verdade, e sem qualquer tipo de pêlo, o que dá bastante jeito para quem é alérgico, ou está grávido, ou veste muito preto. Mãe, pai, quero um destes nos anos. Risquem o pónei.

Gostar de geringonças

MRNDGEPPIR: Método Revolucionário Não Desprovido de Graça e Encanto Para a Produção de Insectos Robóticos

Se afinal se der um apocalipse tecnológico em que as máquinas dominarão o Mundo e o Homem, tudo começará com esta metodologia de construção simples, eficaz e absolutamente automatizada. O que é que acontece na verdade? Está a ver aqueles livros infantis em que se vira uma página e todo o cenário visual e personagens ganham dimensão por meio de dobragens e recortes estratégicos no próprio papel? A teoria é a mesma mas com outros materiais: metais, fibras, compósitos, etc. Ali na imagem pode-se contemplar um insectóide, desprovido de qualquer meio de locomoção ou controle é certo, mas essas coisas podem ser adicionadas depois do bicho estar feito, e também se pode perceber a ordem de grandezas associada, bem como a precisão necessária. Possui 137 juntas dobráveis e 90 mg (sim, miligramas de peso) e monta-se que é um ar que se lhe dá. Claro que o trabalho de recorte do material é feito por máquinas sendo portanto altamente preciso e rápido.

Ali, o senhor engenheiro apenas serve para desenhar o animal e dizer que materiais vão ser usados e onde, e é a única parte onde o ser humano entra só porque há criatividade envolvida e por enquanto é coisa que as máquinas não dominam. Repito e sublinho, por enquanto. Mwahaha! Porque não é nada difícil de imaginar máquinas autónomas a produzirem estas abelhas monolíticas (porque são construídas de um único bloco) às carradas e a usarem estes mecanismos de cooperação ( também com a palavra “autónoma” no seu âmago) para nos limparem o sebo ou perpetuarem sortidas vilanias. Caminhamos para a nossa própria destruição mas até lá curtem-se estas merdas.

Um vídeo muito mais explicativo pode ser visto no Youtube do costume e mais informação (anglófona) pode ser obtida também no Science Daily do mesmo costume ou de outro.

A verdadeira razão do insucesso de Domingos e Companhia:

Nota-se ali um certo padrão em termos de parafernália informática.

Foto: Record

Três coisas em franco declínio e que merecem um estalo na cara a ver se acordam

1) – Sporting Clube de Portugal. Depois de se trocar de presidente e de treinador (es), e de se gastar 30 milhões de mérreis de moeda nova em jogadores de aparente superior linhagem, chega-se à conclusão que ficou tudo na mesma. Houve uma altura em que realmente parecia que não, mas depois do desaire na Luz as coisas voltaram gradualmente à mesma pauta. Meia equipa a anhar, outra meia a tentar fazer alguma coisa não vergonhosa e Polga. Aqui começa a parte que não percebo: Anderson Polga. Depois de ter sido o principal responsável pelo pior resultado de uma equipa na Liga dos Campeões (agregado de 12-1 contra Bayern Munique aqui há uns anitos) ainda ali anda nem se sabe muito bem a fazer o quê. É óbvio que o rapaz não tem a consistência psicológica para jogar numa equipa como o Sporting, e como eu digo sempre, ser do Sporting é para quem pode e não para quem quer. O mesmo se aplica a quem quer jogar, principalmente se for defesa central. Extrairam-se os quistos sebáceos que eram Postiga e Djaló, mas ainda lá ficou este e algo ainda pior: um enorme e pelos vistos inoperável cancro psicológico. A culpa desse cancro não será com certeza só de Polga, mas é óbvio que algo de muito errado se passa numa equipa que se quer candidata a ganhar títulos e que apresenta os resultados que apresenta. Domingos tem muito trabalho pela frente se ainda tiver tempo de o fazer, pois que a malta começa a ficar deveras enfastiada com a coisa. Se bem que contratar o Daniel Sampaio ou outro pedopsiquiatra de renome não seria nada mal pensado, não senhor. Fica a sugestão à Gerência.

2) – Portugal. Outra troca na Gerência e ainda com a adição de uma Troika carregada de papel mas que só o dá se a Gerência cumprir as merdas orçamentais. Perdão, metas, metas orçamentais. Não me vou pôr para aqui a esmiuçar todas as medidas tomadas, nem as populares, nem as impopulares, nem as  nojentas, nem as simplesmente bacocas, até porque nem sigo assim tanto as notícias para o poder fazer com a propriedade e solenidade necessárias. Mas há algo que eu não percebo nesta conjuntura toda e começa com estes pressupostos: impostos altos refreiam o consumo; consumo refreado e a indústria da hotelaria, por exemplo, vai abaixo; se a indústria hoteleira, por exemplo, vai abaixo, mais desemprego haverá e mais subsídios de desemprego o Estado terá de pagar. Entenda-se que a indústria hoteleira não compreende só cafés, restaurantes e hoteis, mas também todas as outras empresas que lhes servem de suporte. E num país que em 1986 se autoproclamou Turístico, este efeito cascata parece-me francamente pernicioso. É isso que não percebo: em vez de se encorajar o consumo aumentam-se os impostos?

3) – Aníbal Cavaco Silva. Às vezes acho que é uma personagem do Gato Fedorento e ultimamente tenho achado isso vezes demais para acreditar na saúde mental da pessoa. Primeiro diz que se vê à rasca para pagar as contas, tendo uma reforma de 12.000 euros à pála do Banco de Portugal. Depois, que não percebe como Portugal chegou a este estado, ele que teve dois mandatos como Primeiro Ministro e agora outros dois como Presidente. Será que esses anos todos não chegaram para perceber como se pode chegar a este estado? Pois eu digo-lhe, senhor Aníbal: chega-se a este estado através da burrice colectiva que permitiu você, eminentíssimo cânone da inutilidade, ser eleito mais 3 vezes depois da primeira. Um conselho, Senhor Presidente da República? Tome os comprimidos e deixe-se estar sossegadinho a comer o seu bolo rei com o cházinho de erva-príncipe e não fale de boca cheia, por favor.

Numa nota assim mais abrangente: não será melhor fazermos outra Manifestação para Restaurar a Sanidade? Se tivesse a certeza que resultava metia-me já no carro a caminho da Avenida da Liberdade.

E porque não Autocarro, Automotora ou Autoclismo?

O busílis da questão não está no grotesco facto de estar a ver um youtube da Carmen Miranda, benza-a deus. Nem tão pouco está no curioso facto de a supracitada marquense de canavesense ter sido apanhada a fazer uma cara feia, como se tivesse mordido um daqueles limões que tem na cabeça. Não, também não é por aí que o gato vai às couves nem a burra às filhoses. O que me intriga mesmo é o que terá a qualidade do vídeo a ver com veículos terrestres de propulsão autónoma. Isso é que eu gostava mesmo de saber.

Meninos e meninas, não traduzam nada do Google por favor. Pelo menos por enquanto. Usem a cabecinha e um bom dicionário, e vão ver que nenhuma situação demasiado constrangedora (como esta ou bem pior) surgirá.

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