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Que Sporting, credo.

O drama, o horror, a luva direita de Patrício

Manteve-se a velha máxima futebolística: o Sporting não é eliminado por equipas inglesas desde 1963. Fomos grandes, gigantes, com dez metros de altura como diz o outro, e lutámos, lutámos, lutámos mesmo muito contra um golem árabe de vinte e tal com todas as armas que tínhamos ao alcance da mão e do pé. Não ganhámos, mas isso não tira qualquer brilho ou iridescência ao que se passou no dia antes de ontem em Manchester City. Parabéns ao Sporting Clube de Portugal, aos sportinguistas militantes ou de ocasião – porque essa mandava que o número de lagartos subisse para 10 milhões, e se assim não foi coitados dos que decidiram ficar de fora: perderam uma alegria.

O culpado desta semi-euforia toda – experiências passadas obrigam-me à cautela – tem um nome, um rosto, uma verdadeira juba leonídea e um punho direito, pelo menos. O nome é Ricardo Sá Pinto, obviamente, e não se pode falar neste Sporting sem se falar dele e do efeito mentolíptico que provocou naqueles rapazinhos de camisola às riscas. Devolveu identidade e motivação a um grupo (que mudou, é certo, mas o problema manteve-se sempre) que desde as saídas de Paulo Bento, Liedson e Moutinho, nunca mais tinha tido um líder que desse a volta à corrente e conseguísse tirar a equipa do maelström para onde havia caído. Sá Pinto devolveu o rugido ao leão e é uma pena ter sido numa altura já tão avançada, porque aturar este Sporting uma época inteira não será com certeza pêra doce para qualquer adversário. E mais: é delicioso olhar para o banco durante um qualquer jogo e só ver sportinguistas.

Celebra-se ainda o regresso em todo o esplendor de um dos mais talentosos jogadores que passou por Alvalade, Marat Izmailov; celebra-se também a força e reflexos de Rui Patrício, sobre o qual digo há anos que será o guarda-redes que Portugal não tem desde os anos de ouro de Baía; celebra-se a correcção da maior parvoíce recorrente do Sporting, aquela que fazia com que Matías Fernandez jogasse nas alas: o Matías, é no meio, foda-se! até o mais burro dos treinadores de bancada sabe isso, nem que seja de ouvir os outros dizê-lo.

De resto, e completando uma ideia ali de cima, já é tarde para chegar à frente no campeonato mas ainda podemos fazer um brilharete no tempo que resta. Porventura não ganharemos nada mas, depois do que se passou nas últimas semanas é legítimo pensar que faremos estragos no outro lado do campo seja contra quem for.

Vai Sporting!

Fotografia de Carl Recine/Action Images

A Football Fable

Fernando Torres was an absolute phenomenon. Fast, strong, good in the air, gifted with an expert technique, cool as fuck in front of goal. He was a legend in the making. The first Liverpool player since Robbie Fowler to score more than twenty league goals in one season. The first player since Roger Hunt to score eight successive league goals at Anfield. The first player since Jack Balmer to score successive hat-tricks at Anfield. The fastest Liverpool player ever to score fifty league goals. A player held in such esteem he was supported more vocally by The Kop than two local legends in Jamie Carragher and Steven Gerrard. He was simply amazing. Then he signed for Chelsea.

The End.

in Arlarse

A verdadeira razão do insucesso de Domingos e Companhia:

Nota-se ali um certo padrão em termos de parafernália informática.

Foto: Record

Três coisas em franco declínio e que merecem um estalo na cara a ver se acordam

1) – Sporting Clube de Portugal. Depois de se trocar de presidente e de treinador (es), e de se gastar 30 milhões de mérreis de moeda nova em jogadores de aparente superior linhagem, chega-se à conclusão que ficou tudo na mesma. Houve uma altura em que realmente parecia que não, mas depois do desaire na Luz as coisas voltaram gradualmente à mesma pauta. Meia equipa a anhar, outra meia a tentar fazer alguma coisa não vergonhosa e Polga. Aqui começa a parte que não percebo: Anderson Polga. Depois de ter sido o principal responsável pelo pior resultado de uma equipa na Liga dos Campeões (agregado de 12-1 contra Bayern Munique aqui há uns anitos) ainda ali anda nem se sabe muito bem a fazer o quê. É óbvio que o rapaz não tem a consistência psicológica para jogar numa equipa como o Sporting, e como eu digo sempre, ser do Sporting é para quem pode e não para quem quer. O mesmo se aplica a quem quer jogar, principalmente se for defesa central. Extrairam-se os quistos sebáceos que eram Postiga e Djaló, mas ainda lá ficou este e algo ainda pior: um enorme e pelos vistos inoperável cancro psicológico. A culpa desse cancro não será com certeza só de Polga, mas é óbvio que algo de muito errado se passa numa equipa que se quer candidata a ganhar títulos e que apresenta os resultados que apresenta. Domingos tem muito trabalho pela frente se ainda tiver tempo de o fazer, pois que a malta começa a ficar deveras enfastiada com a coisa. Se bem que contratar o Daniel Sampaio ou outro pedopsiquiatra de renome não seria nada mal pensado, não senhor. Fica a sugestão à Gerência.

2) – Portugal. Outra troca na Gerência e ainda com a adição de uma Troika carregada de papel mas que só o dá se a Gerência cumprir as merdas orçamentais. Perdão, metas, metas orçamentais. Não me vou pôr para aqui a esmiuçar todas as medidas tomadas, nem as populares, nem as impopulares, nem as  nojentas, nem as simplesmente bacocas, até porque nem sigo assim tanto as notícias para o poder fazer com a propriedade e solenidade necessárias. Mas há algo que eu não percebo nesta conjuntura toda e começa com estes pressupostos: impostos altos refreiam o consumo; consumo refreado e a indústria da hotelaria, por exemplo, vai abaixo; se a indústria hoteleira, por exemplo, vai abaixo, mais desemprego haverá e mais subsídios de desemprego o Estado terá de pagar. Entenda-se que a indústria hoteleira não compreende só cafés, restaurantes e hoteis, mas também todas as outras empresas que lhes servem de suporte. E num país que em 1986 se autoproclamou Turístico, este efeito cascata parece-me francamente pernicioso. É isso que não percebo: em vez de se encorajar o consumo aumentam-se os impostos?

3) – Aníbal Cavaco Silva. Às vezes acho que é uma personagem do Gato Fedorento e ultimamente tenho achado isso vezes demais para acreditar na saúde mental da pessoa. Primeiro diz que se vê à rasca para pagar as contas, tendo uma reforma de 12.000 euros à pála do Banco de Portugal. Depois, que não percebe como Portugal chegou a este estado, ele que teve dois mandatos como Primeiro Ministro e agora outros dois como Presidente. Será que esses anos todos não chegaram para perceber como se pode chegar a este estado? Pois eu digo-lhe, senhor Aníbal: chega-se a este estado através da burrice colectiva que permitiu você, eminentíssimo cânone da inutilidade, ser eleito mais 3 vezes depois da primeira. Um conselho, Senhor Presidente da República? Tome os comprimidos e deixe-se estar sossegadinho a comer o seu bolo rei com o cházinho de erva-príncipe e não fale de boca cheia, por favor.

Numa nota assim mais abrangente: não será melhor fazermos outra Manifestação para Restaurar a Sanidade? Se tivesse a certeza que resultava metia-me já no carro a caminho da Avenida da Liberdade.

Chupai aí, cabrões!

A falta de honra e fair-play fora do relvado na Bósnia só poderia ser retribuída assim. Não só levaram seis golos seis na pá como dois deles foram da cabra-da-peste-Postiga. Haverá algo mais humilhante que mamar duas ameixas de um dos maiores não-avançados de sempre? Cá por mim foi essa a cereja em cima do bolo. Ainda assim, e pelo que se passou nos Balcãs, foi um bolo pequeno, cabrões, foi um bolo pequeno.

Da lagartagem em forma de crisálida

O primeiro de setembro, de braço dado com as primeiras invernias, deram-me vontade de dar por terminada a silly season aqui no tasco. Todas razões plenas de sentido, mas a maior entre todas foi o corrupio de saídas, ou de pontapés no rabo se preferir, que se deu ontem desde Alvalade para o resto da Europa.

  • Leandro Grimi, que quase me emocionou num jogo contra o Inter de Milão onde já mal conseguia andar de tanta porrada que levou mas nunca virando a cara à luta nem pedindo substituição, vai emprestado para o Genk da Bélgica.
  • Yannick o Burro Djaló emigra mais a sua Luciana e a petiz Lyonce para a linda cidade de Nice a troco de 4.5 milhões de euros, o que não é nada mau para o maior desperdício de talento no futebol leonino. Desperdício?, dirão uns, talento?, dirão outros, e eu explico. Djaló é talentoso. É sim! Bom toque de bola, boa aceleração em drible, boa finta, bom remate a qualquer distância. E ninguém me pode contrariar aqui. O problema é que a sua parca inteligência só permite usar essas valências muito pouco amiúde, demasiado pouco amiúde para o que uma equipa como o Sporting precisa. E esta declaração nem abona muito em favor do Sporting. Portanto, obrigado pelos golos, Yannick, foram quase todos de levantar o estádio, mas tão pouquinhos que até dá pena.
  • Hélder Postiga no Saragoça, sem honra nem glória, por 500 mil euros. Já nenhum jogador custa meio milhão seja do que for seja, a menos que se trate de meio jogador. E Postiga é meio jogador, ou menos ainda. Não me interprete mal, defendi o Carteiro em acesas brigas de café contra meia dúzia de lagartos de dente ressabiado ainda que todas as evidências apontassem contra a minha opinião. Admiro a entrega e a espontaneidade do animal, mas quando não aparecem golos – talvez por culpa do 4-3-3 de Domingos ou pelo vazio deixado por Liedson – e quando só ele detém 90% dos foras-de-jogo assinalados ao Sporting – apesar de nem todos serem bem assinalados – não há grande defesa possível. De um avançado esperam-se golos, ou pelo menos muitas assistências, espera-se que saiba atacar uma bola, driblar um ou dois adversários, espera-se que saiba fugir da armadilha do fora-de-jogo, espera-se que acerte mais na parte de dentro das redes e menos na parte de fora, no poste, na bancada e nos painéis publicitários. Postiga sobra na entrega e falha na concretização; meio jogador portanto. Ou menos.

A partir daqui, e sem estas “carraças técnicas”  Domingos já tem a vida facilitada. Agora é encostar Carriço até que ele se lembre outra vez de como é ser um defesa central e meter toda a carne nova no assador. Tirando Patrício, Polga e Pereira, não vejo qualquer intocável no plantel. Convém que Izmailov nunca perca de vista o banco de suplentes e agora com Elias é capaz de o ver mais vezes. Capel é uma certeza e Carrillo precisa de esticar as pernas. Schaars é bom; Bojinov mostrou mais em 10 minutos que Wolfswinkel numa hora; Jéffren é máquina mas que deixe os livres para quem tem pernas de homem. Rinaudo tem porte de velha gloria – quase o vejo a preto e branco, com aqueles  calções demasiado subidos na cintura e peito para fora – e força de trinco de luxo mas tem que tem calminha que os vermelhos em Portugal gostam muito de sair do bolso do árbitro. André Santos é o relógio suiço do costume e Rodriguéz faz falta ao lado de Polga. A pergunta é: onde está Diego Rúbio?

Outro pormenorzinho talvez com alguma importância: finalmente temos extremos decentes para jogar no famigerado losango de Peseiro. Simpatizo com o 4-3-3, mas pelo que se tem visto mais vale o 4-4-2 clássico ou com a configuração da tal figura geométrica. Mas claro, isto são as opiniões de um gajo que nunca ganhou um jogo no Championship ou Football Manager. A mina cena é o Pro Evolution Soccer e aí o Postiga não falha a baliza de certeza.

Coisas da Bola

Fóculporto

Rhinella marina: foi engolido um grande sapo nas Antas. “Ninguém sai daqui”, disse Jorge Nuno, mas já se sabe que Abramovich nem sempre concorda com o Pinto-Rei e pimba!, Villas-Boas muda o nome para Good-Village e acabou a conversa. Se o miúdo prodígio conseguisse levar Moutinho e Falcao a malta lá do fundo da tabela ficava mais descansada, mas assim também está bem. Veremos como se safa o dragão com um tenente a fazer de general, mas em mantendo os jogadores-chave poucas decepções de podem esperar de uma equipa rotinada e talentosa como é.

Ésse-Éle-Benfica

Superioridade Numérica: com quase 40 jogadores no plantel e sem se livrarem de Roberto (HAHAHA!) parece-me que mais vale voltarem atrás e dividirem aquilo em Sport Lisboa e Grupo Sport Benfica outra vez. É que só podem jogar 11 de cada vez, não sabiam? E dividindo a coisa teriam o dobro das hipóteses de abafar o Fóculporto, apesar de correrem o dobro do risco, mas caramba, nestas merdas da bola o risco é muito mais que os simples ossos do ofício.

Zportén

Ui, Tu Queres Ver Que Temos Equipa?: Godinho Lopes nunca seria a minha primeira escolha, mas é um facto que me surpreendeu com a aquisição de Domingos. E mais ainda: parece-me que nenhuma asneirada digna de nota foi perpetrada. Não venderam ninguém valioso a rivais directos nem abriram saldos, o que já me parece uma franca melhoria. O departamento de aquisições não tem estado tão ocioso como nos últimos anos, o que me parece outra franca melhoria. Wolfswinkle já é o melhor marcador e Rodríguez o defesa com mais recuperações de bola e menos cartões amarelos na Liga que ainda não começou. Como se pode não gostar deste Zportén?

Zportén de Vraga

Em Reconstrução Outra Vez: mais uma pré-época a reconstruir a casa depois das investidas dos 3 Grandes Invejosos. Gostava de ver estes gajos conseguirem manter a equipa durante duas épocas seguidas. Havia de ser bonito, havia.

Foi preciso chegar aos 29…

Para perceber que nasci no nonagésimo nono dia do ano, vulgo no dia número 99, e que em anos em que há um dia de borla, vulgo anos bissextos, esse dia invariavelmente se torna no centésimo. O que significa isto? Absolutamente nada, mas se me esforçar muito consigo encontrar-lhe alguma daquela piada, sem piada nenhuma, em que há sempre alguém que tem tomates suficientes para dizer “olha que engraçado”. Engraçado mesmo era o Sporting ter tido tomates a sério e ocupar agora o lugar do Villareal na ex-Taça UEFA. Isso sim seria engraçado.

O Estado das Coisas

A falta de tempo, todavia, não me impede de vir deixar aqui umas larachas sobre isto tudo que se anda a passar, coisas de tão grande importância que penso que a mente de um comum mortal não está preparada para analizar convenientemente. Por isso, cá vamos… Segure-se.

Ora, antes de mais e seguindo a ordem decrescente de importância, as presidenciais do Sporting. Numa época em que foram rifados dois dos activos mais importantes do clube – Moutinho, Liedson – e um outro vendido por um preço mais ou menos justo  – Veloso -, parece-me extremamente simples fazer promessas de campanha realistas que levem o Sporting para o patamar que se quer. Bastava para isso aparecer alguém que dissesse “malta, eu sou um gajo sensato, não tenho dinheiro nenhum mas vou gerir o Sporting como se fosse o meu clube. Vamos apostar forte na formação que já pôs grandes nomes do futebol na história e fazer milhões e milhões de euros com isso. Vou contratar um treinador porreiro, pragmático e dedicado que faça a equipa jogar futebol a sério em vez de simplesmente jogar à bola. Quero os adeptos a gostar de ver o Sporting jogar! Vou acabar com o reinado de narizes empinados e fidalgos orgulhosos que se ofendem com verdades e atiram mentiras na cara dos sócios. Em suma, vou fazer do Sporting um clube a sério, sem ilusões de grandeza e pricipalmente sem empertigados de merda“.

Só que infelizmente não é isso que acontece com nenhum dos candidatos. Uns andam lá perto, mas na sua maioria todos puxam para o seu lado quando deviam puxar para o mesmo.

E agora, sobre os troca-tintas que temos como governantes e demais políticos. Bom… Bem vistas as coisas o segundo e terceiro parágrafos assentam que nem uma luva de latex à política portuguesa em geral. O Sporting precisa tanto de um presidente a sério como nós todos de políticos a sério. Uns queimam os outros porque podem; os outros deixam-se queimar para se vitimizarem e sacudirem a água do capote enquanto correm para debaixo das saias alemãs; e no meio disto estamos nós, pequeninos cidadãos sem empregos nem perspectivas futuras, o que quer dizer que mesmo que quiséssemos contribuir para o atenuar da tão falada crise não conseguimos. Isto está bonito, está. Não é de hoje, mas com gente como Sócrates e Passos Coelho também não vamos a lado nenhum.

Historicamente este tipo de situações económicas leva quase sempre ao aparecimento de gente pouco recomendável que se diz capaz de levantar as coisas. Foi assim que apareceu Salazar, foi assim que apareceu Adolf Hitler e demais camaradas. Posso enganar-me, mas com um – ou uma, nunca sei -  Angela Merkl autoritária e de dedo levantado à frente da Europa isto começa-me a parecer demasiado familiar, com sotaque e tudo. Oxalá esteja errado, mas se não estiver, porra!, que faz falta um bocadinho de acção no Velho Continente lá isso é inegável. E ninguém sabe fazer essas festas como nós, caraças.

Votarei no primeiro potencial ditador que me aparecer. Tenho dito.

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