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Apetece-me fazer como este gajo mas sem morrer

Passar uns meses no Alasca, obviamente debaixo do estio, sem nada para fazer tirando correr atrás de esquilos e castores, sem nada com que me preocupar tirando a próxima refeição e qual a próxima árvore a trepar e outras merdas do género. Portanto, vi o Into the Wild e senti uma pontinha de inveja do Alexander Supertramp. Mas só uma pontinha. A ideia de cagar no mato incomoda-me um bocado.

Ah, a sensualidade zombie…

Pelos vistos os zombies ainda estão na moda: Lost Zombies.

* * *

ah, os peidos solares…

Ando farto de dizer que a haver um apocalipse deveria ser zombie. Seria muito mais relaxante – imagine andar com um pau na na mão a partir cabeças a quem o quer comer – e a Humanidade teria algumas hipóteses de sobrevivência, coisa que dificilmente aconteceria se o fim do mundo viesse por outros meios. E olhe que não faltam por aí meios para o Homem se quilhar, mesmo deixando os extraterrestres ressabiados de fora. Desde erupções colossais do metano preso na crosta terrestre, ao aquecimento global que pode provocar uma Era Glaciar, passando por asteróides e cometas à deriva no espaço sideral e pandemias que matam tudo onde ferram o dente, e acabando na magna flatulência solar, podemos basicamente encontrar a extinção numa qualquer esquina. Também se deixa de fora uma guerra nuclear à escala global; pela falta de piada e porque os Jack Bauers do mundo nunca descansam. Ora, pegando num dos apocalipses acima referidos, sabia que no passado dia 4 de fevereiro o Sol teve um achaquezinho que o fez cuspir dois jactos de energia para o espaço da maior magnitude que já se viu? As quantidades certas ainda não são conhecidas, mas vendo bem a animação aqui em baixo percebe-se que não foi coisa pouca.

Felizmente esses jactos não atingiram a Terra. Essa foi atingida por outros mais fracos no dia 6, o que faz com que ainda hoje seja possível ver auroras boreais bem abaixo da latitude normal. Agora, imagine que os primeiros jactos nos acertavam em cheio. No mínimo, comunicações por satélite, zero; comunicações e aparelhos terrestres com interferências e sobreaquecimento de fios eléctricos e demais parefernália. Milhões de contos de réis em prejuízos, obviamente. Agora imagine que afinal esse tal máximo que os cientistas tinham medido até agora era apenas uma fracção da potencialidade energética dessas ejaculações, e o Sol, num belo e determinado dia, nos brindava com uma explosão à séria de raios Gama mesmo na tromba. A palavra churrasco seria redefinida para todo o sempre.

Às vezes esquecemo-nos de quão sortudos somos, preferindo abusar dessa sorte perdendo tempo com coisas tão fúteis como dinheiro. Na verdade, não vejo outro perigo para a Humanidade que não seja o dinheiro. Todos os outros são meros riscos decorrentes da nossa própria existência.

Portanto, o melhor que nos poderia calhar, apocalipticamente falando, eram mesmo zombies. Pelo menos já sei como me safar: apontar à cabeça e não falhar.

The Revolution will be televised…

“I am the creator of a television show that gives hope and joy and inspiration to millions. … Then who am I? … You’re the star.” - The Truman Show

Tenho com a televisão a maior relação amor-ódio que tenho com qualquer outra coisa ou pessoa neste universo. Estou aqui a escrever estas linhas com uma vontade quase irresistível de saltar directamente para o sofá sem sequer tocar no chão, ao mesmo tempo que tento exorcizar esse impulso por vias do som que as teclas fazem ao bater do dedo e do surgimento do respectivo caractere no ecrã. Mas por que não satisfazer esse desejo e espolinhar-me de facto ao comprido de comando na mão a papar séries como se fossem a coisa mais saudável do mundo, perguntar-se-à o isídrico leitor. Porque, meu caro, será sem dúvida alguma um serão deitado por terra. Porque irei para a cama com aquela pontinha de frustração que invade uma alma com coisas por fazer e dizer e nada fez ou disse, apenas viu coisas que queria ver mas que nada de útil lhe ensinaram. Juro-lhe que até me custa adormecer nesses dias. Agora que penso nisso, o sono chega instantaneamente quando vejo documentários, por mais ecléticos que sejam. Mas quem é capaz de ver documentários com The Office, 30 Rock, Big Bang Theory, How I Met Your Mother, Wilfred, Man Up, Curb Your Enthusiasm e Louie a passar ali tão perto? Eu não, decerto. Ainda que sejam reposições, não sou capaz de desviar o olhar. Dexter, Supernatural, Erva, Californication, Fringe e Walking Dead; Touch e The League a caminho; e as outras que tenho ali gravadas na box e ainda não vi, como Caprica e Alf; a acrescentar às que gostava de ter visto e a uma data de outras que nem sei o nome mas às quais não vou poder dar a devida atenção, primeiro porque não posso, depois porque não quero. Esta merda da televisão é uma autêntica droga, e não no sentido brasileiro do termo, é mesmo o ópio do povo. Fuja dela a sete pés que eu fujo também.

Mas só até às dez porque dá um episódio duplo de Man Up no FX.

Aqueles Saramago e Hawking há meses na mesa de cabeceira até se passam.

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O P.R.A. é o que fazes com ele

No curso técnico que frequento surgiu-me uma novidade em metodologia pedagógica: o Portefólio Reflexivo de Aprendizagens. Já tinha ouvido falar do animal referido como “aquilo em que as pessoas contam a vida toda delas”, ou por “seca do caralho”, e outras coisas mais ou menos simpáticas mas sempre sempre ditas com sorriso desdenhoso.

Para alguns é uma verdadeira dor de cabeça, para outros um mal menor e para a esmagadora maioria deles uma inutilidade absoluta. Note-se que só não disse “para todos eles” nesta última parte porque não sei a opinião de toda a gente. Ora, para que raio nos iremos dar ao trabalho de compilar todos os nossos feitos durante o curso se em princípio a nota de cada módulo fala por si? Dizem-nos que os possíveis interessados no nosso trabalho irão consultar o PRA num futuro próximo e que servirá sobretudo para ganharmos – ou perdermos – a atenção de alguém que pagará o nosso ordenado. Porque num cenário desejável a entidade contratante interessa-se muitíssimo pelo que o um gajo pensa e aprendeu. Dito isto, relembro que estamos em Portugal, onde, apesar da crise e dos seus efeitos filtradores de incompetências, o famigerado factor C tem um peso extraordinário como método de recrutamento.

Todavia, eu como eterno romântico e com uma fé quase inabalável no bom senso humano – apenas suplantada pela fé que tenho na estupidez humana -, acredito que esse tal de PRA terá efectivamente o seu peso quando alguém o decidir consultar com a intenção de me conhecer como formando/profissional. Talvez num futuro distante, quem sabe?

O que é um facto é que quer alguém o consulte quer não, estou a gostar da experiência. Antes de mais, porque me obriga a escrever; e escrever é bom, organiza os pensamentos, revivem-se as aprendizagens e cristalizam-se os conhecimentos. Depois, porque me obriga a pensar numa maneira de estruturar a coisa de modo a ser fácil de consultar, agradável à vista de um modo não piroso, todo funcional e barato. E no fim, porque gosto destas merdas. Não me babo de amores, mas lá que gosto é um facto. Portanto, quer alguém o leia quer não estou a cumprir da melhor maneira que me é possível o que me foi pedido, e mais que isso, estou a gostar.

Em altura oportuna divulgarei o endereço. Até porque é mesmo essa a ideia.

De focinho lavado

Eu avisei no Twitter. Se não me segue, devia, mas se não tem Twitter também não o censuro; a verdade é que esta lavagem de cara já peca por tardar. Não que isto mereça o esforço, porque a meia dúzia de transeuntes viria cá mesmo que o layout tivesse flores ao canto e beijinhos a saltar à frente do cursor (assim confesso eu a minha inépcia na programação CSS ou no domínio de flash e tecnologias modernas do género). E se isto não merece o esforço e é tão vazio de pessoas e conteúdo como o Espaço Sideral, a responsabilidade é única e exclusivamente minha. Todavia, nunca tentou ser mais do que é: a minha caixa de areia. Ao lavar-se a cara aqui à taberna tenta-se sobretudo estimular a ressurreição do hábito de usar isto como tela em branco, ao invés de ser apenas mais um blog de copy/paste com meia dúzia de larachas mal amanhadas lá no meio. Tenta-se mudar, mas não se garante sucesso.

Como também avisei no Twitter, a barra de links desapareceu. Não se ofendam os titulares desses links, porque eles estão bem guardadinhos ali em cima no Chrome (ganda browser, já agora) e serão clicados tão amiúde como antes. Talvez se possa pensar que se perde em divulgação e partilha de contactos, mas também arrisco-me a dizer que a costumeira meia dúzia de tresmalhados que aqui vem não será suficiente para abrilhantar as suas estatísticas. Além do mais, a coleção de links precisava de uma actualização: uns já estavam mortos, outros ainda não mas quase, e o resto simplesmente não tem interesse nenhum. Ainda se salvaram os bantantes para ter que fazer scroll down na lista de favoritos, não se preocupe.

Não que tenha muito a ver, mas se lhe fizer confusão a adopção intermitente do Acordo Ortogáfico, não se espante. É mesmo isso que acabei de dizer: uma adoção intermitente do Acordo Ortographico. Porque há umas palavras que gosto mais de uma maneira e outras de outra. O “adoção” ali atrás foi só para me meter consigo.

Gif a cargo de IWDRM, obviamente.

Gostar de insectos

Weta Gigante, saído de uma qualquer toca da Nova Zelândia. Ora digam lá se não é um amor de bicho? É um coelhinho na verdade, e sem qualquer tipo de pêlo, o que dá bastante jeito para quem é alérgico, ou está grávido, ou veste muito preto. Mãe, pai, quero um destes nos anos. Risquem o pónei.

E porque não Autocarro, Automotora ou Autoclismo?

O busílis da questão não está no grotesco facto de estar a ver um youtube da Carmen Miranda, benza-a deus. Nem tão pouco está no curioso facto de a supracitada marquense de canavesense ter sido apanhada a fazer uma cara feia, como se tivesse mordido um daqueles limões que tem na cabeça. Não, também não é por aí que o gato vai às couves nem a burra às filhoses. O que me intriga mesmo é o que terá a qualidade do vídeo a ver com veículos terrestres de propulsão autónoma. Isso é que eu gostava mesmo de saber.

Meninos e meninas, não traduzam nada do Google por favor. Pelo menos por enquanto. Usem a cabecinha e um bom dicionário, e vão ver que nenhuma situação demasiado constrangedora (como esta ou bem pior) surgirá.

Cuidado: risco de filosofia barata!

Bem se sabe que ainda é cedo para o típico balancete anual do que se fez e não se fez, e de todas as possíveis variáveis dessas duas constantes. Porém, uma vez que o Natal é cada vez mais uma repetição dos anos transactos desde que quase recebi aquele camião dos Micro Machines em 91, mais vale passar à frente e chegar já ao fim do ano.

Por um lado doismilionze foi um ano vulgar – nem bom nem mau  -, mas por outro foi sem dúvida atípico por um simples e inexorável facto: foram descobertas metas. Metas, objectivos, horizontes, cruzes enormes a negro num mapa ainda algo difuso e sombrio, mas que será aos poucos completado e definido por linhas distintas e cores nítidas. Mas isso são coisas para se irem fazendo. Aos poucos, sempre aos poucos, mas com a galhardia característica de quem sabe o que quer, e que apesar de não saber muito bem como lá chegar, tem uma noção exacta da direcção a seguir. Não se iluda, aqui não se fala (só) de amores. Não, também há coisas menos elevadas mas mais prácticas à sobrevivência de um ego de 30 anos.

Balelas e mais balelas, tretas fúteis e ôcas de algibeira com laivos de filósofo zen de terceira apanha, dirá o pragmático e superficial leitor. Talvez, responderei eu, mas quero que se foda, completarei logo depois. Daqui é o que eu vejo e é isso apenas e só que me importa a mim, e não ao Mundo, essa criatura bem mais problemática do que este jagunço de bastas patilhas.

No novo ano que aí se abeira talvez se deixe de fumar. Talvez se comece a ir à natação com frequência. Talvez até me inscreva num ginásio ou saia para correr pelo campo ao pôr-do-sol. Talvez se coma mais fruta e se fume menos herbáceas. Talvez se estude ainda mais e talvez se queira mais quem já se quer tanto. Talvez se escreva mais, talvez se fotografe mais, talvez até se descubra outro meio talento parecido. Talvez isto aconteça tudo ou talvez não aconteça nada. De quanto valem essas resoluções se nunca estamos de facto comprometidos com elas? De quanto valem se nunca entendemos verdadeiramente o poder de uma decisão resoluta, o poder da vontade pura? De quanto valem se nunca estamos dispostos a fazer alguma coisa por nós mesmos?

Por que remamos quando é o leme que vai solto?

Boas Festas, gadulagem.

Um dia difuso com música definida

É clicar na focinheira do animal e rodar o botão do volume para o limite máximo do ouvido humano e das colunas em causa.

A vila acordou hoje debaixo de um nevoeiro resiliente. Às quatro da tarde, hora continental, ainda não despegou e nem é de crer que o faça tão depressa. Deixa tudo com um ar muito estranho, onírico talvez, de vila piscatória talvez também, refrescante de certeza. Parece que acordei no meio do Triângulo das Bermudas e vou tropeçar a qualquer momento num D. Sebastião aos gritos de espada desembainhada. As poucas pessoas na rua arrastam-se sem sombra pela calçada e é nessa altura que começo a ouvir ao longe os harmónicos debitados por Manzarek, anunciando a voz profunda de Morrison “Awake/Shake dreams from your hair/my pretty child, my sweet one“. Um cenário bem longe da “vast radiant beach and cooled jeweled moon“, mas foi no órgao do Ray e nos slaps de guitarra do Robbie que a minha enfezada cabecinha encontrou a sonoplastia ideal.

Um casal forasteiro com cria e pau de cabeleira pavoneiam os coiros citadinos enquanto uma das fêmeas diz plena de desdém “isto é que é o sítio mais bonito daqui?pffffff!“. O que eu não respondi, por vias de um senso mal cristalizado de sociedade civilizada e respeitadora de gostos alheios, foi “desculpe, minha senhora, pelo facto de não termos aqui nenhum centro comercial de plástico e brilhantinas, nem o atravancamento lá da sua Pontinha ou do seu Sacavém, com as casinhas todas descoloridas de um arco-iris pintado há 40 anos e tapado da fuligem dos autocarros; desculpe, minha senhora, por gostarmos de espaços abertos e arejados, de paredes brancas e relvados bem verdes; desculpe, minha senhora, por preferirmos o granito ao alcatrão; desculpe, minha senhora, aqueles tapumes de construção civil, mas na verdade só estão ali há um mês, portanto deixemos os homens acabar aquilo a ver no que dá; mas também minha senhora, olhando bem para a sua fronha mal encavada de nariz empinado, digo-lhe que mulheres assim já temos aqui aos pontapés e nem elas nem você nos fazem assim tanta falta. Por favor não volte tão depressa, mas se voltar traga lá fotografias do sítio onde mora a ver se será assim tão melhor que este, sim?”.

“Oh great creator of being
Grant us one more hour,
To perform our art
And perfect our lives”

Saindo do buraco só para dizer dizer isto:

A questão é que não tenho vagar nenhum para bloguices. Planos há muitos: meia dúzia de posts e um ou outro [mini] conteco, mas o vagar é que é um recurso escasso por aqui. Das nováscinco num curso alegadamente profissionalizante com trabalhos e estudos à mistura, pois que ali estuda-se, não se ria, e depois sobra pouco tempo para o coça-coça quanto mais para bloguices. Todavia há novidades. Ali em cima inaugurou-se a secção “Coisa-se!”, assim a modos que uma página de classificados aqui da casa que isto da internet não pode ser só conversa fiada, também há que ter alguma utilidade pois claro. E falando em coça-coça, a responsabilidade é practicamente toda de duas coisinhas informáticas saídas dos fornos de Hades, concerteza: TrackMania e Stealth Bastard. O primeiro, o mais lunático dos jogos de corridas; o segundo, o mais divertido dos Splinter Cells e em 2D retrostyle.

Não se tem lido nada – nem sequer a primeira página da Nova Gente -, nem tão pouco visionado os costumeiros filmes sobre a dimensão e idiossincrasias da alma humana, mas também a parca intelectualidade presente neste desperdício de carne não acusa o golpe. Por enquanto contenta-se com sucessivos rituais de pouca elevação. Repito e sublinho por enquanto. Sabe-se de antemão que quando o cursinho e os trabalhos apertarem rumo à exaustão provavelmente é quando essas sedes e fomes do pensar mais me atacarão, precisamente quando não tiver tempo para lhes dar a atenção que merecem. Enfim, é o que dá ser assim, meio parvo. Mais, mais que meio parvo, vá.

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