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Já cheira a Pangolim

A versão Beta do próximo Ubuntu, 12.04, ou Precise Pangolim para os amigos, já está disponível para download nos sítios do costume – menos no MegaUpload pelo que ouvi dizer (ahahah). Ainda faltam 8 longas semanas de afinações, que todos são convidados a fazer, claro, daí a disponibilização da versão Beta, mas no que toca à sua essência o Pangolim já tem as escamas todas.

Pelo que percebi esta 12.04 é o mesmo que a versão 11.10 mas em muito melhor, o que não é de estranhar, obviamente. Porém eu, meio atrasadinho como é costume, ainda estou na versão 10.04, e do Lince para o Pangolim é um salto já considerável, pelo menos no que diz respeito ao interface. No momento em que escrevo estas linhas o ficheiro ISO está a ser para todo o sempre gravado em formato DVD: mal posso esperar pelos 100% e que a cópia (legal) tenha sido efectuada com sucesso.

Olha, já está.

Então vou ali só um bocadinho testar o Precise Pangolim e já venho com novidades.

A verdadeira razão do insucesso de Domingos e Companhia:

Nota-se ali um certo padrão em termos de parafernália informática.

Foto: Record

PL118, o chamado “devem estar a gozar!”

Este deve ser o único blog no blogododecaedro português que ainda não se insurgiu contra o PL118, o Execrável, e não quero que se pense que sou de alguma forma subsidiário do Tozé Brito e demais consortes. Longe disso. Como dizia um amigo meu “chulos nem vê-los quanto mais mantê-los”, e bem sei a vergonha de taxas que um bar, por exemplo, tem que pagar para poder passar música legal, comprada em lojas da especialidade, ou mesmo tocada pelos próprios autores. Por isso ainda acho que este PL118 deve ser uma anedota e não pode ser real.

Para o surfista mais desatento, o PL118, o Aberrante, é um projecto-lei que se prepara para deixar de ser projecto e que irá fazer com que os dispositivos de armazenamento informático que comprarmos sejam mais caros devido a uma taxa que reverterá a favor da Sociedade Portuguesa de Artolas, perdão, de Autores. Isto tudo, claro, debaixo do nobre estandarte anti-pirataria internáutica. Ora, a aberração do PL118, o Abominável, não é assim tão difícil de entrever: eu como fotógrafo – ainda que de sétima categoria – possuo cerda de 100 Gb de fotografias – ainda que de qualidade duvidosa – e parece-me algo injusto ter que pagar uma taxa quando eu próprio é que sou o autor. Este é o ponto fulcral da situação.

O PL118, o Odioso, surge na senda dos agora engavetados SOPA e PIPA americanos e do ACTA europeu que há-de vir. Apesar de não estar muito por dentro do assunto, pela resposta do grupo Anonymous aos supracitados planos americanos, dá bem para ver que este nosso PL118 é uma arma bacoca e mirrada contra a pirataria informática, quase como caçar elefantes com um agrafador, o que só contribui ainda mais para anedotice da coisa. Nem anti-pirataria informática de jeito sabemos fazer.

O PL118, o Maldito é de facto uma aberração. Todavia, nos tempos que correm não é a única e nem de perto nem de longe a mais grave de todas as aberrações que enchem o telejornal. Até porque esta nem à televisão chega. Portanto assine a petição anti PL118 aqui e manifeste o restante desagrado onde bem entender, porque pode não chegar à televisão mas as internets estão apinhadas dele. Pergunte ao Google, se não acredita: a indignação anda à solta. Aproveite enquanto não vem o ACTA ou desengavetam o SOPA/PIPA.

Juntos marcharemos. Tozé, prepara-te.

Quem usa Ubuntu é mais sexy que nunca!

Juro que pensei bastante antes de escrever isto: outro post sobre as virtudes aparentemente infindáveis do Linux parecia-me exagerado. Dirão vocês, microsoftianos leitores, “porra, Romudas, outra vez o Linux? Ninguém quer saber disso, pá. Pareces um daqueles pregadores de rua com um cartaz ao pescoço a dizer Microsoft is satan!“, mas realmente quero que se foda. Vocês e a Microsoft. As coisas bem feitas devem ser reconhecidas e reverenciadas, e ainda que não receba nem um cêntimo sequer pela publicidade – aliás, a coisa funciona mesmo assim, sem cêntimos à mistura – não vou parar de espalhar a Palavra.

Desta vez começou com a necessidade de instalar um Sistema Operativo. A princípio achei que seria o Windows, em qualquer uma das suas aborrecidas versões, que viria habitar o “novo” disco do Tobisha canibalizado a um parente de menor estirpe. Não demorei muito tempo a chegar à conclusão que o velhinho mas fiável XP  não tinha a estaleca necessária para o serviço (falta de drivers SATA). Quem se chegou à frente e cumpriu os requisitos na perfeição? Exacto: Ubuntu Linux versão 9.04, posteriormente actualizado para a 10.04. E nem é a mais recente.

Uma das grandes questões que me prendia à Microsoft era a inoperabilidade do AutoCAD em ambiente Linux. Mesmo com o extraordinário Wine aquilo simplesmente não funciona a menos que se seja doutorado em programação pelo MIT, ou Caltech, ou mesmo Universidade do Minho. Todavia, e graças ao AlternativeTo, encontrei diversas aplicações que se não são o AutoCAD, pelo menos são muito parecidas. Entre as quais, uma verdadeira pérola chamada DraftSight. Não é o AutoCAD, não senhor. Mas com o mesmo aspecto gráfico e operacional, a abrir DWGs como se fossem latas de Pringles e com a mesma referência de comandos – sim, leu bem, A MESMA REFERÊNCIA DE COMANDOS -, se não é o AutoCAD engana muito bem. Fiquei banzado, boquiaberto e estupefacto. Mais, a coisa não parece algo obscuro saído de um qualquer vão de escada, como é apanágio de grande parte do software Linux. O site do DraftSight está muito bem estruturado e há versões para Windows e Mac também. Nunca tinha visto nada assim e para dizer a verdade quase parece bom demais . Terá talvez um enorme defeito, daqueles que se não quase fatais pelo menos deveras chato, mas tal falha ainda não foi tida nem achada.

Portanto, e resumindo o resultado da Liga SO, temos Ubuntu Linux 15 – Microsoft Windows O. Claro que este score é relativo. É pouco provável que venha a abandonar a Microsft de vez, mas sinceramente nem sei muito bem por que não o fazer. O seu fim está próximo, todavia, e o Ubuntu está cada vez mais para ficar.

Embeiçado por Kenta Cho

Estão a ver aquele japonesinho feioso de óculos? Sim, o que está em primeiro plano. O outro não conta, nem o do meio com o olhar embevecido que nem sequer óculos tem. Bom, esse tal feioso de óculos chama-se Kenta Cho e é responsável pela criação de alguns dos jogos mais adoráveis e viciantes de distribuição livre que aí andam. São quase todos shooters, é um facto, mas se o Asteroids e Space Invaders não eram viciantes então eu tenho um par de mamas como a Salma Hayek. Todos shooters, como dizia, inspirados nos retro jogos de outrora mas com um aspecto abstracto e uma jogabilidade bastante rápida e electrificante. Não se assuste com o “aspecto abstracto”: se tentar jogar vai perceber que mesmo com gráfico ultra-realistas o jogo não podia ser melhor do que já é.

Durante o dia Kenta Cho desenvolve software na Toshiba, mas de noite ou aos fins de semana, quando não passa nenhuma reposição da Battlestar Galactica ou do Espaço 1999, veste o fato de geek de garagem e dá à luz essas pequenas pérolas do jogo Arcada style. Podem ser sacados da página da nano-empresa que ele fundou e da qual é o único trabalhador, a ABA Games, e curtidos em qualquer computador ou dispositivo similar. Para quem usa Ubuntu, a colecção está quase toda no Centro de Software e basta escrever Kenta Cho no campo de pesquisa.

Cada vez mais tenho um paixonite por jogos que não consomem a alma a um gajo, jogos rápidos de “play-quit“, em que o intuito é relaxar e não penar durante horas para criar um exército tão massivo que oblitera o adversário ainda antes de sair do HQ; ou que se passe duas horas a matar snipers alemães numa França ocupada; ou que tenha que se fazer 50 jogos para ser campeão da Liga Inglesa. Não que esses jogos sejam maus, não, credo, são fantásticos, mas agora ando numa fase em que tenho que dirigir as paciências para outros lugares. E também porque efectivamente tenho um fraquinho por essas merdas que se dão de livre vontade ao Mundo sem que ele nos tenha pedido nada.

Ah, só aqui um apartezinho: World of Goo é o melhor jogo de sempre (por enquanto). Nem aqui o amigo Kenta chega ao pé deste.

De Maçãs e Pinguins

A sua expressão facial era uma mistela muito mal enjorcada de reconhecimento com nojo. Ehh… Onde é que eu já vi uma coisa assim? disse sonoramente referindo-se ao Docky do meu Ubuntu de sorriso sarcástico em riste. Eu permaneci impassível, mas a fervilhar por dentro. Fanboy do caralho, é deus no céu e o caixadóculos Jobs na Terra, raiosospartam. Logo depois, assim que acabei a frase transacta na minha cabeça, sai-se-me com esta: porra, é mesmo imitação do máque (pronunciando o anglicismo meque assim mesmo, máque, com acento e tudo), será que não são capazes de fazer nada original? Foi aqui que me passei! Agarrei na média Super Bock que o gajo estava a chuchar pelo gargalo, parti-lhe o fundo e cravei-lha bem no meio da maçã de Adão, só para curtir o raio da ironia. Claro que isso só aconteceu na minha virulenta mente, o rapaz segundo sei está de boa saúde e continua a fazer os updates todos que o messias Jobs lhe aventa. Imitação, meu ignorante? Imitação? Porque que carga de merda é que tem que ser imitação e não inspiração? É que para ser imitação falta-lhe uma coisa de visceral importância: lucro. A Louis Vuitton, meu paspalho, é imitada porque dá lucro a qualquer chinês que tenha um pedaço de napa e uma agulha, mas sabes o que ganha a Canonical com a distribuição do Ubuntu? Nada. Nicles. Népiazinha.

Portanto, da próxima vez que vires o meu Docky todo pimpão a saltar dos fundilhos do monitor à espera de ordens e tiveres uma erecção por te fazer lembrar da maçãzinha roída que lá tens em casa, lembra-te também que o visual do Ubuntu é inspirado – repito, inspirado – no meque e não uma imitação barata. Até porque é mais que barata, é de borla. E diz-se meque, foda-se, meque!

Tanto azedume porquê, pergunta você, microsoftiano leitor? Ora, porque adorava o Docky e agora não o consigo usar sem me lembrar daquele sorrisinho gozão. Aí tem, é por isso.

Isto é um jogão do caralho!

Sou um jogador invertebrado. Não me enganei, não. Sou mesmo invertebrado. Sou desprovido da coluna vertebral que faz um gajo agarrar-se a um jogo até ver os créditos finais. Normalmente compro um jogo (alvíssaras à BGamer pelos excelentes títulos que ainda correm no meu Pentium IV a 5 mérreis a unidade), instalo-o, jogo umas horas até chegar a um ponto em que é preciso alguma paciência para ultrapassar. Não vou buscar cheats nem walktroughs nem o raioqueoparta. Simplesmente desaparece-me a vontade de continuar a desperdiçar tempo com aquele jogo e venha o próximo. Este FEAR, não sendo um jogo fácil, passei-o até ao fim sem uma pontinha de aborrecimento. E o que tem o FEAR a mais que os outros? Para começar tem aquela miúdinha que aparece ali na capa, um espírito atafulhado de ódio e rancor que teima em nos arrepiar o espinhaço com o jogo do esconde-esconde que gosta de jogar. Mantém-nos colados ao monitor, de mãos a suar, mesmo quando não se passa nada além de um tremelique de estática no indicador de comunicação ou nas luzes do cenário. Azulejos a saltar das paredes e a tipinha a correr com as mãos no chão saída de uma nuvem de vapor são também toques de uma finura Stephekinguiana muito apreciados. Os movimentos tácticos dos inimigos são também de louvar: nada de gajos aos tiros sem um mínimo de cobertura, nada de gajos parados à espera da nossa cartuchada nas nalgas. Não senhor. Os gajos topam-nos e é logo flanqueios e mudanças de posição, com artilheiros lixados no meio e atiradores nos telhados. Ali não se brinca em serviço.

Há também uma coisa que alegra o espírito além de ajudar na jogabilidade: a câmara lenta. É muito mais fácil acertar um tiro quando o tempo de reacção é mais lento e é muito giro, muito giro mesmo, ver os mastuços adversários a voar um bocadinho para trás de cada vez que uma bala nossa o estraçalha. Os irmãos Wachowsky dão-me toda a razão no último ponto com certeza.

Resumindo, compre a BGamer de não-sei-quando, feche-se no quarto e levante o som das colunas o suficiente para ouvir passinhos de pés descalços a correr atrás de si. Desça as persianas se for de dia e peça para não ser incomodado. Se tiver problemas de hipertensão não ligue a este texto e volte ao seu Solitário.

Do Facebook

Queria escrever um post a descascar forte feio no Facebook. Até tinha uns argumentos bem sólidos e um texto daqueles capazes de chamar trolls com fartura à caixa de comentários, mas depois apercebi-me de uma falha descomunal nesse ataque: o alvo estava errado. Na verdade pouco tenho contra o Facebook. Ou melhor, o que tenho contra o Facebook é o que tenho contra as pessoas que não vêem outra coisa para além da opus magna de Zuckerberg. O Facebook é o que se faz dele e parece-me francamente triste que algo que não acrescenta absolutamente nada a qualquer ser humano seja considerado o fenómeno da década. É a histeria à volta do Facebook que me enoja e não outra coisa.

A dita rede social foi criada com o intuito de fazer com que os geeks da faculdade de Zuckerberg não ficassem virgens até aos 40. Há algo de pitoresco aqui e não é de todo destituído de alguma piada. A questão é quando esse serviço se transforma num enorme golem e ultrapassa os muros da comunidade universitária. Quando vemos miúdas e miúdos giros comunicarem entre si única e exclusivamente no Facebook, alguma coisa de muito errado se passa.

Bem sei que isto são generalizações, bem sei que há quem use o Facebook para coisas bem mais úteis – o caro leitor decerto será uma dessas pessoas, não são todas assim, afinal? – mas a verdade é que me estou a borrifar para isso. Se quero partilhar ideias prego-as aqui; se quero conhecer alguém verdadeiramente interessante visito blogs e páginas pessoais, essas sim, imbuídas de alguma forma com a personalidade da pessoa em questão. O Facebook homogeneíza as pessoas, como naquele filme The Island. Todos vestidos de igual, todos a pensar igual, mas o penteado é à vontade do personagem. O que pode haver de bom nisso?

Espero pacientemente que a moda passe, porque há-de passar, ou então – e isto seria o ideal – o gigante golem de Zuckerberg explodirá pelas suas próprias costuras atafulhado na porcaria que ele mesmo convenceu as pessoas a fazer. Porque é giro ter Facebook, é giro coscuvilhar, é moderno, é assim, tipo, tás a ver, ai não sei explicar, mas o Facebook é, tipo, diferente.

Serei sempre um velho, do Restelo ou de Alvalade, mas serei um velho enquanto as coisas antigas me parecerem francamente melhores do que a maioria das novas.

GIF is not dead!

O bom do velhinho GIF animado está em franca extinção, ao que se diz. Quando o maior culpado de navegações internáuticas – leia-se Facebook – barra a entrada a um formato como o GIF é legítimo pensar que depressa definhará e morrerá; o GIF, não o Facebook, deus nos poupe, nossa senhora. Não é assim tão verdade, isto. Há quem se dedique a manter a saúde da coisa com obras como a que está ali em cima [Link], quais velhos curadores museológicos ligeiramente senis mas com um amor imenso pelo que guardam. Aliás, ao que parece, como acontece com todas as tecnologias ultrapassadas, há um crescente movimento pró-GIF. Seja saudosista ou inovador, pouco importa, o que importa é que o GIF não morra e continue a incomodar, a fazer rir ou a assustar, dependendo da situação.

Quanto aos tais curadores senis e apaixonados, imagino-os assim, tal e qual:

Via Gearfuse

Ninite, o gajo das mudanças

Como disse há dias ali no Twitter, decidi reservar o meu desktop unicamente para trabalho e jogatana. O mesmo será dizer que o Ubuntu foi para onde vão as coisas depois de formatado o disco e entrou em cena o velhinho, mas cheio de cabedal, Windows XP. Já tinham vivido juntos na mesma máquina, mas o XP é um bicho enorme que precisa de muito espaço, ainda para mais quando traz os amigos Prince of Persia e Pro Evolution Soccer. Ora, é sabido que a pior parte de uma limpeza é pôr tudo no lugar outra vez, e se se tratar de um sistema Microsoft então a tarefa é um verdadeiro trinta-e-um. Avast!, Adobe Reader, Firefox, VLC, Quick Time, iTunes, Live MSN, OpenOffice, Google Earth…

Porém, há sempre um porém, felizmente, existe uma coisinha na internet que facilita bastante esse trabalho de instalar todas as aplicações que foram com os anjinhos e mais algumas: Ninite. É escolher da lista o que quer, como em qualquer bom supermercado, dizer que sim quando chegar à caixa, que nem pede dinheiro apesar de ser tudo legal, e pôr o ficheiro de multi-instalação a correr. Simples e eficaz.

Descobri que também há Ninite para Linux, apesar de não perceber muito bem a ideia. O próprio Ninite é uma aproximação (rasca, diga-se) ao Gestor de Aplicações do Ubuntu, gestor esse que vem de origem no sistema operativo e tem milhares de coisas enquanto o Ninite tem uma dúzia e meia.

Seja como for, o Ninite, para utilizadores Microsoft, parece-se muito com algo caído de céu. Uma grande vénia àquela gente.

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