E vaselina, não tem?

cifrao

Esta confusão toda à volta do BPN, do BPP, das off-shores e de dinheiro desaparecido – que afinal não é confusão nenhuma: há ladrões de fato e gravata e vítimas de fato e gravata, e ainda há gente que sabe de tudo mas que cruza os braços para poder ir passar férias para a casa que o Sôtor Fulano tem nas Maldivas e que, como é uma jóia de pessoa, empresta tudo o que conseguiu comprar com o dinheiro dos outros; no meio disto tudo dá-me ideia que tanto os ladrões como as vítimas de tão alarve assalto podem continuar a comprar fatos e gravatas ainda mais caros que antes – mas, como estava eu a dizer, esta aparente confusão na alta finança fez despoletar um bombardeio opinativo por parte de todo o ser humano com as mínimas capacidades cognitivas. Escrevem-se quilómetros de páginas on-line sobre o assunto, enchem-se quilos de papel sobre o facto de estarmos nas mãos da banca, fazem-se centenas de milhares de milhões de piadas em que o Sócrates é sempre enrabado pela banca e no fim o que acontece? Nada.

Continuamos, como sempre, nas mãos dos banqueiros mas com um Estado muito mais pobre, que andou ferozmente a arrebanhar fundos durante 3 anos e agora vê-se na obrigação de os “doar” a quem está cheio deles. É que um Sócrates sodomizado pela banca não é apenas o Sócrates sodomizado pela banca: somos TODOS enrabadinhos a sangue-frio e sem direito a beijinho e cigarrinho no fim.

Uma coisa gira é que Portugal, a cauda da Europa, nem sequer chegou a sofrer verdadeiramente com a tal crise mundial. Pelo menos não como a Islândia ou os E.U.A. Neste momento os bancos que estão receber o “elixir da eterna juventude” por parte do Estado representam muito menos de um décimo do capital total gerido pelos bancos. Mas mesmo assim há que mantê-los, pois claro, bem gordinhos e anafados para ver se as campanhas eleitorais se fazem como manda a cartilha e não como os borra-botas dos comunas e dos drogados do Bloco.

Todavia não são estes factos todos que me chateiam. O facto que me chateia mesmo – tanto que chega a ser vergonha – é falar-se tanto, gozar-se tanto e fazer-se tão pouco. Há dias atrás um inofensivo jornalista iraquiano fez mais pelo seu povo do que todos os mujahedins e todos os carros-bomba juntos. Apenas com um sapato disse mais a Bush e ao Mundo do que todas as crónicas de jornal (mesmo as do Nuno Rogeiro), do que todas as piadas e que todas as manifestações. Imaginem se tivesse acertado.

E é isso que nos falta: a capacidade para agir. A capacidade para agir adequadamente quando o nosso representante máximo decide dar o dinheiro que andou a rapinar ao povinho, às vezes indecentemente, para o dar a gajos nunca viram uma moeda de 5 cêntimos sequer. Raios o partam. E raios nos partam também. Porra.

Tenho dito.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s