Ó Évora, ó Évora…

Durante muito tempo foi um mito sem qualquer fundamento. Depois tornou-se uma ameaça real pairando sobre as cabeças dos eborenses. E em breve, daqui a duas semanas, materializar-se-á como facto consumado e definitivo: Évora vai ficar sem qualquer sala de cinema. Um município dos maiores que existem neste rectângulozinho plantado no Atlântico, populado desde que o homem descobriu que uma roda efectivamente roda, com mais de 40.000  dessas alminhas sofredoras, vai ficar sem cinema. Cinema esse que já era tutelado pelo blockbusterismo da Lusomundo, mas que, não obstante, lá ia fazendo as delícias de quem não dispensa telas e colunas gigantes. Os eborenses ainda rezaram muitos quilómetros de Avé Marias ao possível centro comercial (fórum) planeado para a cidade, mas deu-se que o tipo fugiu a toda a brida para sul, para a antiga Pax Julia. Culpa do executivo municipal? Talvez. Seja como for, sem fórum e sem os Alfas Duplex como é que fica a malta? Que se saiba não há nenhum plano, nem do Município, nem da Lusomundo, de transferir as instalações para outro edifício. Isto sim, sem dúvida nenhuma, que tresanda a incompetência e falta de vontade do executivo municipal. Pergunto-me quanto ganhará o vereador da cultura e quem o rodeia…

Bem se sabe que o cinema não é um serviço prioritário, mas é, de certeza, um serviço básico. Todas as vilas por esse Portugal fora têm salas de cinema – com cadeiras de esplanada, projectores dos anos 70 e colunas de som de 20 Watts, ou confortáveis poltronas, projectores digitais e som Surround DTS mais o raio que o parta. Todas as autarquias e juntas de freguesia parecem concordar num ponto: o cinema, seja ele bom ou mau, é um dos mais importantes elos de ligação ao mundo e a quem nele vive. Ora, a autarquia de Évora não sabe disto. Não sabe ou não quer saber, o que ainda é pior.

Arraiolos, por exemplo, tem pouco mais de 3.000 habitantes e tem cinema. Não funciona como a meia dúzia de aficcionados – na qual me incluo sem reservas – gostava: os filmes “estreiam” com algum atraso, só há uma sessão por semana e encerra durante Verão, altura em que são lançados os filmes mais cotados. Agora, sem cinema em Évora, talvez o executivo municipal de Arraiolos se sinta encorajado em gastar mais uns tostões para remediar alguns dos problemas acima citados. Mas, por favor, que não se rendam aos blockbusters! Dêem-lhes abébias de vez em quando, mas não os deixem tomar conta de tudo.

Quanto à luta dos eborenses pelo seu direito à cultura, só tenho a dizer uma coisa: votaram naquele canastrão, agora aturem-no.

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