Mineralogia para Pessoas Normais – Lição #3

denver2008-76goldenfluor4denver2008-123cvchinafluorite1denver2008-241ilfluorite1denver2008-308fluoritesphal1denver2008-424mexfluorcal1denver2008-316elmwoodcube3

Gostou desta pequena mostra mineralógica? Calhaus lindíssimos, não são? E são todos da mesma raça, sabia? Calma, já os apresento. Vamos adensar o mistério. Não, não pode incrustar uma coisa destas num anel. Ora, porque a baixa dureza do material (4, numa escala de 0 a 10) faria com que se esfarelasse, qual pão bolorento, passados uns meses a passear no singelo dedo de uma donzela – imagine então como seria se o dono do anel fosse um virilíssimo servente de construção civil. Adiante. Se ainda não faz a mais pequena ideia do nome do nosso cúbico amigo vou dar-lhe mais uma pista: ocorre muito frequentemente em veios e jazidas de origem hidrotermal. Não chegou lá? Então lá vai mais uma: o seu principal componente é o pior rival dos dentistas. Ainda não? Pronto, então digo-lhe que a palavra “fluorescente” vem desse mesmo principal componente. Exacto. Agora só lhe falta juntar o sufixo mais famoso da mineralogia… Ora bolas, ainda não, lerdo leitor?! Pronto, então diga comigo, vá: Flu – o – ri – te! Viu? Não era assim tão difícil, pois não? É esse mesmo o nome do mineral de hoje: fluorite. Com cores que podem ir desde o verde pálido a violeta pujante, e companheiros de génese com nomes como galena, esfalerite, barite, quartzo e calcite, a fluorite tem um aspecto assombroso. Imagine o curioso leitor que há quem esfrangalhe peças como aquelas ali em cima para fazer pasta de dentes, medicamentos, esmalte, lentes para telescópios e microscópios e – pior que tudo, oh Deus – bombas atómicas! Cautela com esse menino flúor! Tapa-se com a capinha de protector do esmalte dos dentes, porém, quando ingerido (é bom referir que o flúor proveniente da fluorite é absorvido pelo organismo na sua totalidade) em doses ligeiramente mais elevadas do que as aceitáveis pode destruir por completo a dentição, a estrutura óssea e até trazer problemas neurológicos. A dose faz o veneno, já diziam os antigos.

Seja como for, a fluorite é ao mesmo tempo um dos minerais mais comuns na Terra e também um dos mais espectaculares. Nas fotografias estão representados apenas exemplares com cristais cúbicos, mas podem ser octaedros e outras formas excêntricas mas sempre intimamente ligadas ao sistema cúbico.

Ah, quase me esquecia. As fotografias são, obviamente, por conta de Kevin Ward. Já disse que ele tem um site horrível? Mas os calhaus, Senhor, os calhaus são de chorar!

Anúncios

2 pensamentos sobre “Mineralogia para Pessoas Normais – Lição #3

  1. Muito obrigado, meu caro. Fiquei no entanto um pouco baralhado quando diz “pelo sentido”… Juro que não sei do que fala. Não fui eu, não fui. E se fui, não estava em mim… Foi o diabo que me veio ao corpo. Sim, pode ter sido isso.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s