A Maioria Absurda

Ah, que excelente fim-de-semana este que passou. Ter o senhorengenheirosuaexcelênciaoprimeiroministro José Sócrates a inundar todos os blocos noticiários foi muito além das minhas expectativas. Já estou com saudades do Congresso do PS, mas talvez ainda hajam umas migalhas para os noticiários de hoje explorarem. Espero bem que sim. Ver aquela gente toda reunida, embevecida com o nosso primeiro a exaltar os feitos históricos de um partido que nem é carne nem é peixe, a saborearem cada palavra que saía daquela boquinha sagrada. Foi lindo.

Soluções para o futuro? Mas quem é que precisa soluções para o futuro quando se tem um partido pleno de pujança? Obviamente que a malta presente no congresso esteve a trabalhar para o seu próprio futuro. Ao estar sempre a bater na tecla da “maioria absoluta”, Sócrates também trabalhou para o futuro dos seus camaradas; pelo menos por mais 4 anos, a ver se mantêm aqueles preciosos lugares-tenente do Governo. É isso que admiro na política, em especial no PS: quando não se faz a mais pálida ideia da solução para um problema é apelar às ideologias e o povo fica todo contente. “Não há nada de concreto, meus caros, mas temos um partido forte e vamos ter a maioria absoluta outra vez, quer Alegre queira, quer não” – Isto parece-me, a bem da verdade, a perfeita síntese de um fim-de-semana inteiro de discursos.

Não considero vergonhoso o facto de Sócrates, O Engenheiro, ter faltado a uma Cimeira Europeia para estar presente no congresso do seu partido. Afinal, não foi a Europa que o elegeu, nem vai ser a Europa que lhe vai dar a segunda maioria absoluta. Era estúpido se não agisse como agiu. Ele sabe que as probabilidades de enganar Portugal inteiro outra vez são as mesmas que o Sporting tem de ganhar 6-0 ao Bayern Munique, portanto tem de se começar a mexer já. No entanto há um trunfo que ele tem na manga: Manuela Ferreira Leite. Quem, no seu perfeito juízo, leva aquela mulher a sério?

Aconteça o que acontecer daqui para a frente, uma coisa é certa, não há memória em tempo longínquo ou próximo, de haver um déficit tão grande em políticos e políticas de qualidade. Pura e simplesmente não existe ninguém capaz de fazer o que é preciso. Não há ninguém que queira arregaçar as mangas e fazer o trabalhos sujo. Não há. O que há é gente de fato e gravata que acha que os portugueses se alimentam de ideologias e punhos no ar. Gente que quer votos, quer poleiro, mas não quer fazer o que tem de ser feito. Gente que prefere continuar a fazer broches aos grandes empresários, investidores e banqueiros em vez de lhes lembrar que também eles têm que dar o cuzinho.

Vá, agora votem naqueles rabetas outra vez, se querem ver onde é que isto vai parar.

Tenho dito. E se for preciso digo isto em voz alta.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s