Excomunguem-me por favor!

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Quando ficamos a saber que uma miúda de 9 anos é excomungada da Igreja porque foi obrigada a abortar uma gravidez derivada de uma violação perpretada pelo padrasto, só nos podemos indignar. Como ousa a toda-poderosa Igreja levantar a mão e admoestar um dos seus servos mais inocentes; um servo a quem já foi levantada a mão demasiadas vezes; um servo que a única coisa que precisa neste momento é de uma mão baixa, de uma mão amiga?! A toda-poderosa Igreja, a mesma dos escândalos públicos – e de outros não tão públicos – de pedofília; a mesma Igreja da Inquisição; a mesma Igreja que corrompeu governos e os torceu à sua vontade ao longo dos séculos; a mesma Igreja que abominava até há bem pouco tempo o uso do preservativo apesar do número crescente de vírus HIV por metro quadrado, aponta agora o dedo a uma pobre criança e aos médicos que lhe salvaram a vida. Vergonha, senhores padres. Vergonha é o que deveriam ter na cara, em vez de a atirarem para debaixo da batina para junto das outras vergonhas acumuladas desde que Jesus, O Cristo foi pregado na cruz. Há dois mil anos que essa corja infecta o espírito da Humanidade com aldrabices, intrigas e sangue. Há dois mil anos – suponho – que nos indignamos, de braços cruzados e com um terço na mão; sim, porque apesar de todos os defeitos do Homem serem invenção do Senhor, é expressamente proibido irarmo-nos. Somos uns cordeirinhos e eles, os das fétidas batinas brancas, são os sábios pastores. Ao diabo com eles mais os Mistérios do Senhor e os raios que os partam! Ao diabo com o corpo do Senhor e Seu sangue que se não for da Comenda Grande é uma valente zurrapa! Ao diabo com  Sagradas Escrituras, Mandamentos, Casas do Senhor, homilias e água benta! A dar-se a hipótese de Deus existir, duvido muito que vivesse numa lúgubre casa repleta de ouro e ícones sofredores. Não. A dar-se a hipótese de Deus existir, viveria em todo e qualquer lugar e  falaria com quem estivesse disposto a ouvi-lo, sem intermediários, sem regras e – principalmente – sem castigos.

Em última análise, a excomunhão da pequena de 9 anos não é um castigo. É uma benção. Irá crescer com graves problemas de saúde – digo eu, não sou médico – mas espiritualmente não estará dependente das ideias de uma organização que domina a Terra pelo medo e pela culpa. Espiritualmente estará livre para acreditar naquilo que bem entender. E essa liberdade é a tal que não tem preço.

PS.: Não estou a generalizar. Sei, obviamente, que muita gente próxima do Vaticano tem as mais nobres das intenções e desenvolvem os mais nobres dos trabalhos. Infelizmente são uma minoria.

Na imagem: execução de condenados pela Inquisição no Terreiro do Paço, Lisboa, Séc. XVIII

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