Gamito, ninguém morre na Primavera, porra!

Vejo a blogosfera, não como uma família – sejamos realistas -, mas como uma comunidade muito bem delineada que se subdivide em outras pequenas infra-comunidades. Por exemplo, dentro da Blogosfera Global, temos a Blogosfera Luso-Brasileira, dentro dessa há a Portuguesa que por sua vez se divide em Cultura, Política, Desporto, Humor, Pessoal, etc. É, pelo menos, uma forma de dividir as coisas. Quem tem um blog pertence a algo. Quanto mais não seja ao servidor que aloja a sua taberna.

Ora, sendo uma comunidade, sofre de todos os males e bens que uma comunidade sofre fora do sistema binário e é, portanto, normal surgirem uma vez por outra desacatos, discordâncias, ou mesmo celebrações e homenagens a este e àquele. Todos sabem do que falo. Mas o que acontece quando um membro dessa comunidade morre? Como é suposto, nós, que nem sempre temos contacto extra-blog uns com os outros, reagirmos? Bem, quanto aos outros não sei, mas posso dizer como eu reajo. Mesmo não conhecendo a pessoa em causa, a morte dela tem em mim um efeito muito maior do que seria de esperar. Como se um elemento de um grupo musical que gostamos muito falecesse de repente sem  avisar. É esse tipo de vazio que sinto. No entanto, as múltiplas idiossincrasias da blogosfera resultam numa sinistra ilusão de que está tudo na mesma, mesmo quando não está.

Agora foi o Mário Gamito que fugiu – fugiu mesmo, o sacana, saiu no apeadeiro e correu para longe – para as fulgurantes terras além da cortina de chuva, como diz Gandalf. E, apesar de nem sequer o ter na barra de links (por uma razão tão estúpida quanto circunstancial), conhecia-o através do Bitaites e dava para perceber que ninguém lhe ficava indiferente. Agora fui ao blog dele e nada. Não se nota nada. O último post tem um mês (aquando da vitória do Sportén por 3-2 ao Benfas) e parece que, a qualquer momento, o Mário há-de voltar com uma qualquer lição sobre C++ ou Java. Uma coisa é o “cliché” de manter o quarto tal e qual como ele o deixou, outra coisa é um blog deixado ao abandono. Uma coisa são as fotografias e lembranças – umas impessoais, as outras difusas com o passar do tempo; outra coisa são as palavras dele deixadas a flutuar no éter cibernáutico – palavras que ELE escreveu, sobre coisas que ELE pensou e que hão-de ficar ali até o servidor que o alberga o expulsar por inactividade. É essa temporalidade e pessoalidade inerentes à blogosfera que tornam dolorosa uma partida deste género mesmo para um desconhecido como eu. Entenda-se que não estou propriamente a sofrer por causa do Mário, nem da sua família que tem toda a minha compaixão. Não é tanto um “Oh meu Deus, porquê o Mário?!”, mas antes um – parafraseando o Marco – “Raios te partam, Gamito!”

Paz à tua alma.

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2 pensamentos sobre “Gamito, ninguém morre na Primavera, porra!

  1. Já lhe tinha dirigido as minhas condolências agora, em minha casa, repito-as. Os meus mais sinceros sentimentos, para si e para o resto da família.

    Não há mais nada que possa ser dito. Pelo menos por mim.

    Abraço.

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