Lomografia para principiantes

Sempre a olhei com um misto de desconfiança e curiosidade. A desconfiança vinha – e apesar de tudo continua a vir –  sobretudo da conotação com uma certa contra-cultura urbana que grassa um pouco por todo o lado. Vocês sabem, a mochila a tiracolo com um filme de Godard, um livro do Zizek, e uma edição do Jornal de Letras com António Lobo Antunes na capa. Não costumo ir em pastiches nem estereótipos – tirando aquela vez em Praga, mas porque a viagem era barata. Já a curiosidade que o meu espírito mantém acerca das Lomo e da Lomografia, penso eu, tem a ver com o design retro das máquinas e de alguns resultados bastante interessantes. Pronto, agora ofertaram-me uma linda Diana (muito obrigado, N., mais uma vez) e tenho todo o tempo do mundo para satisfazer a segunda e acabar com a primeira. Ou vice-versa, sabe-se lá. E o que é a Lomografia?

Blá blá blá. Diga o que a Embaixada Lomográfica disser (aqui está mais uma brilhante amostra de bom marketing), Lomo é falta de qualidade. É preocuparmos-nos com a fotografia o mínimo que é possível para ficarmos com alguma coisa impressa no negativo. É darmos dinheiro a alguém em troca de uma máquina fotográfica de fraca qualidade; que mal pesa 20g sem rolo; que não tem mais que 3 botões e cujo mecanismo de disparo não tem mais que 3 peças; que tira fotografias distorcidas, desfocadas ou sobrepostas umas nas outras de propósito. E é esta última premissa que define a fonteira entre a Lomografia e a Fotografia convencional: a personalidade própria de cada máquina. Digamos que um gajo que, depois de tirar mais de 20.000 fotografias com uma máquina digital que pesa meio quilo sem lente (em fotografia o pesado é bom), passa para um bocado mal amanhado de plástico que imprime imagens em película de nitrato de prata; é como passar do MP3 para a K7. Não é bem um retrocesso, é um caminho diferente, sem facilidades e com… personalidade. Muita personalidade. Não vou deixar a Nikon, obviamente. No entanto. estou  ansioso por comprar dois ou três rolos de 120 e desatar a fotografar como se fosse a primeira vez. É esta, também, a principal vitória da Lomo: reinventar a fotografia reduzindo-a ao seu elemento mais simples: o momento.

Bom, agora vou ali tirar a minha sacola verde caqui da máquina de lavar, tentar descobrir o Zizek na prateleira poeirenta e rezar para que o meu pai não tenha usado aquele JL na gaiola dos periquitos. E o Godard? Já o devolvi à Cinemateca, não se preocupe.

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15 pensamentos sobre “Lomografia para principiantes

  1. Também me ofereceram uma Lomo, uma Fisheye. Usei e abusei de dois rolos em menos de uma semana, admito que ainda nem revelei as fotos. Estava tão entusiasmada por experimentar, mas depois passou-me. Mas agora ao ler o teu post deu-me vontade de ir revelar os rolos, apesar de achar que nem metade das fotos vão dar para revelar. Devia ter comprado daqueles rolos especiais, por causa da luz. Acho que as fotos devem ter ficado demasiado escuras porque foram tiradas no inverno (tempo mt sombrio) e as lomos precisam de carradas de luz.

    Any way, enjoy ur lomo (:

  2. Mesmo que essas fotos estejam estragadas (e há sempre a probabilidade de algumas se safarem) só te resta uma coisa a fazer: comprar mais um rolo e tentar outra vez.

    Enjoy your Lomo too 🙂

  3. Olá comprei uma fish eye lomo e gostava de saber quais os rolos que devo comprar.. podes.m ajudar ?
    manda mail po meu correio electronico sff*
    agradelo desde já a atenção

  4. Realmente não sei que formato de rolo usa a FishEye (na página da Lomo também não diz), mas se fores a uma loja de fotografia e a levares eles lá sabem de certeza. Basicamente será um rolo normal de 35 mm ou um de médio formato 120, e estes últimos já têm outras variações. E nas instruções, não vem nada? Assim, vendo daqui, não posso ajudar muito

  5. Maria, nunca experimentei a Holga, mas apesar de já me terem falado bem dela tenho que discordar em favor da Diana. A Holga vem com um rolo de fita isoladora e não é por acaso: toda ela tem frestas por onde entra luz e a fita é para trabalhares com essas frestas personalizando cada fotografia. Apesar de frestas numa máquina analógica usualmente serem uma coisa má, há quem diga que na Holga fica bem. Eu não gosto. não tenho paciência para tanto pormenor. Outra desvantagem: se queres usá-la como Pinhole tens de a estragar definitivamente e só podes voltar à fotografia normal comprando outra Holga. A vantagem é que usa rolos de 35mm, os mais comuns.

    A Diana é outro nível. A lente pode sair sem grande esforço, podendo ser usada como Pinhole ou com outra lente acessória, como olho-de-peixe ou o splitzer, e voltando depois a usar a lente de origem sem ter que estragar nada. Vem com flash e filtros coloridos no pack inicial. E se não gostas de usar filmes de 120, algo complicados de arranjar, mas com um formato quadrado adorável, podes sempre comprar o adaptador para filmes de 35mm. Não há fita isoladora nem frestas para tapar. É a máquina mais simples das Lomo e a única que pode ser transformada praticamente nas outras todas. É a melhor, digo eu. Apesar de não ser a mais barata.

    Espero ter ajudado. Cumprimentos:)

  6. Muito obrigada pela opinião, também estou mais inclinada para a Diana.
    eu tive a dar uma olhadela no site,e fiquei um bocado confusa porque a diana é das mais baratas(50euros) e a holga mais simples custa 70 euros, por isso estou na dúvida se realmente vem com os filtros coloridos..deixo aqui o link se puder dar uma vista de olhos..http://www.lomografiaportugal.com/html/loja_starnew.html#
    cumprimentos*

  7. Ah, já sei qual foi a confusão: a Diana não vem com os filtros coloridos porque fazem parte do flash, que vem na Diana F+, que a que tenho. São 80 mérreis pela Diana, flash, filtros e adaptadores para vários tamanhos de filme de 120. Mais um livrinho muito porreiro sobre a Diana, a sua história e depoimentos de quem a usa. Acho que vale bem a pena a diferença de 30 euros.

  8. ah ja percebi a diferença.Então a diferença entre a Diana F+ e a Holga colorflash está portanto na possibilidade de a Diana poder ser usada como pinhole e não haver a necessidade da fita isoladora, correcto?

  9. Sim, acho que é essa a principal diferença. Mas como te disse, ainda não a experimentei. Talvez seja melhor falares com alguém que a tem ou já a tenha usado. Seja como for, podes sempre optar por uma e mais tarde experimentar as outras: conheço gente que recebe uma cada vez que faz anos:)

  10. A Lomo não é pra qualquer um. É o tipo de fotografia que gosta quem sabe que uma foto não é feita pela cámara, e sim pelo fotógrafo. É uma cámera totalmente plástica então não entendo como alguém espera que a resolução das fotos seja da melhor qualidade possível sendo que as lentes também são plásticas.
    Com uma Lomo Diana F+ vc consegue usar filmes 120 e 135 mm, controlar os tempos de obturação e apertura, utilizar flashes coloridos, tirar fotos pinhole e panorámicas sem fim, entre outras coisas.
    É uma cámera para brincar com a criatividade, totalmente mecánica, tudo o que um fotógrafo procura: a liberdade de criar com a fotografía.
    Aos lomografos, não interessa a tecnologia do equipamento, o tamanho da objetiva ou a capacidade da câmera de fotografar com precisão o real. O que importa aqui é o olhar. É a capacidade de transformar a realidade, de experimentar, de testar todas as técnicas, de inventar técnicas novas, de modificar a câmera sem medo. A lomografia é a descoberta do olhar. Fotografar com câmeras de baixa tecnologia significa negar a ilusão de que o homem pode dominar a natureza e apreender o real de forma objetiva e clara. A utilização de técnicas experimentais e de câmeras, em sua maioria, desprovidas de qualquer possibilidade de regulagem, significa a busca de um olhar mais aberto ao mistério. 🙂

  11. Agora que eu comprei uma Holga ,sou iniciante ,e li que vou ter problemas com filme … queria respirar fundo ,chegar numa loja e falar assim
    -Me dê um rolo de filme 120 .
    Colocar na câmera e fazer fotos lindas ,cheias de efeitos … por favor ,acabem com meu sofrimento dizendo que é só eu fazer isso . Obrigada
    Akemi ~

  12. Ahahaha! Pois, é, Akemi, não é bem assim. Mas segundo que percebi esses “problemas” com o filme não são assim tão grandes e faz parte da diversão da coisa. O melhor remédio é sempre experimentar. Compra um rolo, fotografa, fotografa, fotografa, fotografa e depois logo se vê. É essa a filosofia;) Não precisa de ficar desesperada com a Holga… É uma boa menina mas śo precisa de pouco de atenção.

  13. Ola!
    Eu estava a pensar comprar a lomo Diana F+ Qing Hua no site http://shop.lomography.com/cameras/diana-f-cameras/diana-f-qing-hua, no entanto não sei se vem com filtros coloridos para o flash e outros acessórios.
    Também gostaria de saber se vale mesmo a pena…e quanto é que custa cada rolo e a revelação. Gosto muito do que é possível fazer com essas máquinas mas os acessórios e lentes extra são caras.
    Aguardo uma resposta

  14. Caroline, desculpe a demora na resposta mas aqui o sítio esteve encerrado até ontem, precisamente. E agora a resposta, penso que essa Diana F+ que me disse traz os filtros coloridos, pois são um acessório do flash. Quanto aos outros acessórios (adaptadores para outros tipos de filme, adaptador para sapata de flash universal, etc) é que já não sei.

    Quanto aos rolos, há muito tempo que não compro nenhum, mas penso que na Fnac ficavam à volta dos 11 € cada um (de 120 a preto e branco). Mais a digitalização dos negativos e gravação em JPEG num CD: cerca de 12€.

    E na minha opinião vale bem a pena o gasto: nunca tirei fotos como aquelas.

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