Vá, uma conversinha para não dizerem que morri.

Não são só vocês que repararam nisso, eu próprio tenho-me apercebido do estado de relativa devolutez (acho estranho esta palavra não existir no dicionário) em que este espartano tasco se vos apresenta. A culpa não é minha. Em verdade essa culpa é repartida por várias coisas, as quais passarei de momento a descrever:

– A corja de parolos que um dia dominou o território anteriormente conhecido por Gália. Quando um gajo é líder de uma família romana, tem três hipóteses, pelo menos: matar africanos, matar turcos ou matar europeus. E todos, africanos, turcos e europeus, deveriam saber de antemão que a coisa mais inteligente a fazer é sair do caminho ao invés de tentar segurar uma enxurrada de legionários com cascalho. Este conselho serve também para os espanhóis, cuja proto-Armada Invencível me anda a mexer com os nervos. Sim, pode-se dar a hipótese de estar a passar demasiado tempo a jogar “Rome: Total War”, mas dúvido. Sempre fui um gajo muito moderado. Oops, caíu-me a coroa de louro. Tenho que mandar fazer uma para o meu tamanho.

– O facto de já ter corrido montes de lojas e não encontrar nenhuma que venda roupa com aquele padrão tão foleiro quanto útil que é o camuflado. Passeio-me na rua e vejo uma média de 2 a 5 pessoas com roupa dessa, mas não a encontro à venda. Obviamente não perguntei a ninguém onde compraram, mas também duvido que desse algum resultado. A minha teoria é que a roupa em padrão camuflado vem de um de dois sítios: ou dos armazéns das Forças Armadas, ou de Paris, no bico de uma cegonha. Agora com a despenalização do aborto o negócio ficou fraco e mudaram-se para o ramos dos têxteis. É bem possível, porque não. Eu faria o mesmo.

– A Salazar Fever ainda anda por aí. É mais persistente que a Gripe Suína – ou Gripe A, se for criador de porcos ou se chamar Leitão – e ainda tem a particularidade de pôr as pessoas a dizer coisas como “um Salazar agora é que punha tudo no sítio“. Não discordo… (repare no esforço que estou a fazer para não soltar uma piada brejeira e de gosto dúbio sobre Salazar e as salazarettes)… Pronto já passou. Adiante. Podemos ter a memória curta, a maioria de nós já nem viveu no mesmo e no mesmo país de Salazar, mas há um defeito imperdoável em tudo isto: uma visão distorcida. Salazar tirou-nos os livros, mas não nos tirou o cérebro. Ainda assim o português comum recusa-se a ver o mundo como ele é em 2009, recusa-se a aceitar os seus paradoxos e idiossincrasias. É mais fácil culpar um defunto, ou invocá-lo, do que pensar por si próprio. Já dizia o outro que não há machado que corte a raiz ao pensamento. O grande problema não é a qualidade do machado, nem da lâmina. O grande problema é que não nenhuma raiz que valha a pena cortar.

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