Leeches do it better.

politica

Tendo cada vez mais a ser uma criatura apolítica. Basta ver o ninho de ratos em que a política portuguesa se transformou para perceber essa metamorfose. Há quem seja apolítico sem ter tido alguma vez inclinações partidárias e não censuro ninguém, se me mostrar que de facto existem razões concretas para isso e não o típico e boçal “são todos iguais, querem é poleiro”. Muito obrigado, isso já eu sei. A derradeira questão é  qual dos gajos passará mais tempo a ralar-se com a malta cá em baixo, e de que maneira se processará essa ralação. É isso que me interessa. Cores, esquerda, direita, são simples adereços. Desconfio até que um marinheiro terá outras concepções sobre essas cores e sobre as nomenclaturas dessas orientações, mas isto é divagar. Quantos, oh Deus, quantos militantes de um partido mudaram de camisola – pelas razões certas ou erradas, tanto faz -? Lembro-me inclusivamente de um certo fulano que fundou um partido e depois mudou-se para outro situado muito para lá da sua zona preferencial do espectro ideológico. Quem pode dizer hoje que o PS é de esquerda, se nada mais faz que encher a pança do gajo do monóculo (não do Spínola, do outro pançudo que aparece no Monopoly) e que conta com ex-comunas, ex-centristas e ex-direitistas nas suas fileiras? E quem pode dizer que o CDS é de direita se agora anda de braço dado com sindicatos e pequenos empresários? Interesses. Tudo se resume a interesses. E como anda tudo ao sabor dessa maré de interesses em constante mutação, sem um único gajo que se digne a agarrar no leme e a arriscar a provável amotinação do resto da tripulação (eles, os políticos), os passageiros (nós, o povo) e a mercadoria (ela, a economia) andam aos trambolhões no porão, até que, eventualmente, encalhemos nuns quaisquer baixios, ou nos afundemos, puxados por um qualquer Kraken faminto.

* * *

Vi com entusiasmo todas as notícias a que meti as gânfias sobre a inauguração do novíssimo centro de investigação de nanotecnologia, sempre esperançado em que Sua Majestade Juan Carlos aventasse um “porqué no te callas?!” ao nosso primeiro. Mas, pelos vistos, o velhote coibiu-se de mandar calar um tipo simpático e integro como Sócrates. Se  o gajo passasse mais tempo do lado de cá da fronteira é que não sei não…

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s