Breve nota sobre Paintball

Não é novidade que ultimamente tenho dedicado demasiado tempo a uma actividade aparentemente tão fútil quanto interessante: Paintball. Dizem-me que não tenho idade para jogos – gostava de saber quem foi a alminha sem vida que postulou isso -, dizem-me que o Paintball é um sorvedouro de dinheiro e de pouco retorno intelectual e financeiro. Até eu sei que é mais produtivo para o espírito passar os dias a ler Proust, tal como sei que dedicando-me mais a trabalhar os ganhos seriam significativos, e sei também que a única coisa que visivelmente resulta de um jogo de Paintball é uma meia dúzia de nódoas negras. Todavia, o Paintball é um desporto, e todos sabemos que se devem practicar actividades pertencentes a essa classe. O gozo de um jogo de Paintball é substacialmente superior a um jogo de futebol: o físico não é tudo, o material também não. O que conta é a inteligência e a técnica. Ou pelo menos uma saudável mistura dessas quatro coisas, pendendo sempre para as duas últimas. Parece-se com a guerra, mas fica tão longe disso como o tiro aos pratos fica de um safari. Nunca me alistaria no exército, mas um joguito com qualquer equipa ainda vai. Digamos que o Paintball é uma espécie de guerra para geeks que se fartaram do Call of Duty ou do Counter Strike e que gostam de se ver ao espelho de camuflado e colete táctico. Assumo a vaidade. Não vale a pena tentar mascarar o Paintball com maquilhagem filosófica – dizer que a Humanidade transporta no seu âmago o gene da guerra e da competição é mais que batido – nem enfeitar o jogo com qualquer papel de embrulho de que me possa lembrar. O Paintball é a mistura perfeita entre a adrenalina de estarmos constantemente perto de abatermos um adversário, com o medo de sermos abatido por um, ainda com a vantagem de sabermos que é pouco provável morrermos ou ficarmos estropiados se o inimigo efectivamente nos acertar com uma bola de tinta no peito. Vale a pena jogar se houver disponibilidade fisica para isso. Vale a pena queimar umas dezenas de euros em material. E vale a pena gastar algum tempo a treinar a precisão e a movimentação. Não que isso ajude a qualquer coisa na vida real, exceptuando talvez um improvável cenário de guerra miliciana, mas um jogo é um jogo e qualquer jogo vale a pena ser jogado porque é esse o seu propósito. Um jogo nunca aspira a ser mais que isso e este não é excepção.

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2 pensamentos sobre “Breve nota sobre Paintball

  1. Nunca experimentei Paintball mas sempre me pareceu interessante e divertido, e mais inofensivo do que touradas, caçadas e mesmo partidas de box.

  2. Apesar de saber de um caso em que um tipo, por uso irresponsável do seu próprio marcador, ficou sem um olho. Diz-se que estatisticamente é mais seguro que golf. Cumpridas as regras de segurança, é altamente improvável sair-se seriamente magoado de um jogo.

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