De ventos, Bentos e losangos

Hoje, em Arraiolos, faz-se sentir uma purificante nortada que, para quem está habituado a arcar com 40 Celsius no lombo, é uma benção dos céus, como um gin tonic a um viajante do Gobi. O problema surge quando se tenta ler um jornal peçonhento como A Bola debaixo de tão refrescante ventania: não há braços que cheguem. Porém, enquanto a veia artística desse alíseo tentava obstinadamente transformar o dito jornal num bonito origami surrealista, apreendi dois factos, um que me deixa mais tranquilo para o jogo que os leões estão prestes a fazer em Florença, e outro que compensa esse alívio e me deixa assaz preocupado. Vamos ao primeiro. O árbitro nomeado para a partida que oporá os génios da pintura renascentista a uma equipa que ainda não percebeu o que é um losango chama-se Howard Webb, tem 192 centímetros de altura e é inglês. Tenho um fascínio visceral pela arbitragem inglesa, apesar de temer um pouquinho pela integridade das pernas de Liedson, Matías e Moutinho, que, tendo em conta o jogo da primeira mão, poderão ter que visitar o fisioterapeuta mais amiúde.

Agora o segundo. Bento, o Paulo, parece não ter percebido a falta que lhe faz o pior jogador da época passada. Se é para teimar no losango há que ensinar aos jogadores novos como raio se joga num losango. Matías claramente não tem ido aos workshops “Jogar no Losango de Bento” e Romagnoli, o Pipi, apesar de não ter jogado o suficiente para se poder considerar “futebol” na época transacta, conhecia esses workshops de trás para a frente. O que faz Bento então? Infantilmente põe Matías no lugar de Pipi e espera que o talento do primeiro se sobreponha e se adapte à falta de talento do segundo. Mais, não satisfeito, e à falta de Simon, provavelmente vai obrigar Veloso a encostar-se à esquerda, colocando assim dois dos melhores jogadores do plantel no patamar do subrendimento: Miguel e João.

Paulo, caraças, votaria sempre em ti, mas se até eu, que nunca ganhei um jogo no Championship Manager, vejo onde está o problema, depressa me juntarei à turba linchadora se não atinares de uma vez. No entanto, e como sou uma pessoa cheia de boa vontade, vou dar-te mais uma oportunidade. Espera, até faço mais, dou-te uma dica: Veloso a trinco, Pereirinha na direita, Moutinho a 10 e Matías na esquerda. Sacrilégio? (estalo; Bento repõe o penteado) Mas qual sacrilégio, pá? O gajo até é ambidextro dos presuntos, dribla que se farta, é rápido q.b. e tem a mania de entrar pelas diagonais. Quem te disse que não é um bom médio interior, meu asno?! E a defesa? Dessa tratas tu, ora porra. Mas, caramba, mais vale o Caneira do que qualquer outro dos laterais que tens usado. E olha que me custa dizer isto.

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2 pensamentos sobre “De ventos, Bentos e losangos

  1. O problema, afinal, é que Paulo Bento compara o Sporting ao Titanic, e a única desculpa é que talvez não lhe tenham contado o fim dessa história.

  2. O que ele acha mesmo é que com ele ao leme nem o Titanic se afundava. Vamos ver se chegamos a Nova Iorque, então.

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