Friedensreich Regentag Dunkelbunt Hundertwasser

Magdeburg_Hundertwasserhaus

É difícil contemplar um edifício de Hundertwasser sem o colar imediatamente a Gaudí. Nada podia estar mais errado. No entanto, não é de comparações que lhe quero falar. Quero falar-lhe, cusco leitor, de um homem que nasceu em 1928 na Áustria e cujo sonho era que vivêssemos em casas harmoniosas, sem as enfadonhas linhas rectas, casas que nos inspirariam ao simples olhar, que nos imiscuíssem elas próprias na Natureza que conquistamos. Árvores que nascem em quartos, um relvado no telhado, pisos ondulados – “um piso ondulado é uma melodia para os pés“, dizia Herr Hundertwasser -, cores, muitas cores, tudo isso pode ser encontrado nas obras do nosso caro amigo vienense.

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Não era só fogo de vista, no entanto. Não era só aquele tesão de artista que apenas quer ser diferente de todos os outros e por isso tem as mais estapafúrdias ideias. Não era o LSD, ou se calhar até era, mas, a dar-se o caso, então foi a obra mais lúcida que o LSD já produziu. Havia, e há, conteúdo. Escreveu quilómetros de manifestos contra a arquitectura rectilínea da época, que esta entristecia as pessoas e tornava as cidades deprimentes; contra a forma com que os seres humanos tratam a Natureza, como se afastam dela e – acima de tudo – de como se afastam da própria individualidade. Hundertwasser queria que “fosse possível a um determinado individuo esticar o braço fora da janela do seu apartamento alugado, arrancar o reboco e pintar tudo no alcance do braço. Para que seja visível de longe que naquela casa vive alguém que é diferente da pessoa subjugada, escravizada e padronizada que vive ao lado“. Isto é atitude, meu caro leitor.

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No meio disto tudo ainda pintou hectares de quadros (sempre muito coloridos e biomórficos, como os seus edíficios), desenhou selos, deu discursos nú em pelota, desenhou blocos de apartamentos de borla “para evitar que algo feio tomasse aquele lugar“. Pena mesmo é um gajo só conhecer estas coisas por acaso, por um simples tropeção numa colecção da Taschen. Um artista destes aterra a nave no nosso planeta, mostra o que tem dentro de si, marca uma posição, a malta aplaude. Depois morre e fica uma mera recordação do que tinha dito e feito. Simples palavras atiradas ao vento. Os conceitos e as obras ficam para exposições e retrospectivas e livros. Raramente ficam onde deviam ficar: nas pessoas.

Nota: As fotografias aqui mostradas foram todas alarvemente rapinadas de vários expositores via Google. Se quer saber mais coisas sobre Herr Hundertwasser e admirar as obras do homem é fácil, faça como eu: http://www.google.com. Sabe tudo, o gajo.

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2 pensamentos sobre “Friedensreich Regentag Dunkelbunt Hundertwasser

  1. Caramba, esses elogios deixam-me corado:p Obrigado pela visita. Também acho o senhor Hundertwasser fantástico.

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