Atlântida (Reprise)

Marx Brothers (Go West)_02

Imagine o imaginativo leitor que, por artes e ciências ainda por descobrir, encontrava o seu futuro neto numa qualquer passadeira do mundo real e que prontamente este se lançava em vôo direito a si, mesmo a tempo de evitar que o senhor ficasse com a sigla SCANIA marcada na testa. Já vimos isto em inúmeros filmes, é certo, mas o que acharia desta hipótese se lhe fosse apresentada por gente como o Dr. Holger Bech Nielsen ou o Dr. Masao Ninomiya, gente que é paga para pensar e desvendar os segredos do Universo?

Já muito se falou na máquina de destruição do mundo, o LHC (Large Hadron Collider), que se diz irá destruir o Mundo assim que conseguir criar uma partícula que ainda ninguém sabe bem o que é. Sabe-se apenas que se chama Bosão de Higgs e que existiu durante um trilionésimo de segundo após o Big Bang, foi comprar cigarros e nunca mais voltou. A questão é que não só não voltou, como todas as tentativas para o criar deram num buraco. Não dos negros, mas um simples buraco. Ou é um uma junção entre dois imans que se vaporiza, ou é o senhor Januário, o homem da limpeza, que tropeça numa ficha: acaba sempre por acontecer alguma coisa estúpida que impede o LHC – e anteriormente o seu congénere americano, o Superconducting Supercollider (como são super! estes americanos) – de cumprir o seu propósito. São, aliás, contratempos tão absurdos, que o Dr. Nielsen e o Dr. Ninomiya já colocam a hipótese de que a energia do tal Bosão se propaga através do tempo e impede que ele próprio seja criado. Isto pode parecer uma ideia parva, principalmente para aqueles cuja maior preocupação é o bruxo que azucrina Cristiano Ronaldo e o cuspo da Maitê, mas segundo as imortais palavras de Niels Bohr, um dos pais da física quântica: “Todos concordamos que a sua teoria é louca. A questão que nos divide é se será suficientemente louca para estar correcta”. É assim que pensam os físicos.

Agora, o quântico leitor pode vir todo pimpão, de peito feito, com o argumento “ah, mas se o tal Bosão impede que ele mesmo seja criado gera-se um paradoxo, e os paradoxos não existem“. Pois está muito certo, meu caro. A questão aqui é que o neto salva o avô, pegando ainda no exemplo lá de cima, e não que o neto mata o avô antes do homem sequer ter filhos. A humanidade é o dito avô, a energia do Bosão é o neto e o SCANIA o próprio Bosão. Assim não é um paradoxo. Sendo a Teoria do Destino correcta, ficamos a saber que mais tarde ou mais cedo o tal Bosão há-de aparecer, com ou sem cigarros, e que o seu efeito será tão negativo sobre a matéria que a própria energia conspira contra a sua criação, atrasando-a, mas nunca suplantanto o engenho humano. Ora, sendo a Teoria do Destino correcta, e ao continuarmos a tentar criar o Bosão, é como se estivéssemos a jogar à roleta russa com 6 balas.

(N. do A.: Fui roubar este post aqui, mas há que agradecer ao Marco, que me mostrou este sítio sobre ciência e estoutro com as imagens que têm ilustrado os últimos posts.)

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s