Adeus e obrigado, pá

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Não me lembro de alguma vez o Sporting ter agarrado um treinador durante tanto tempo. Quatro anos. É muita fruta. Ontem Paulo Banto explicou o que o tem apoquentado esta época: ele mesmo não devia estar ali. Não porque deveria estar noutro clube qualquer de maior ou menor calibre, o problema era mesmo estar ali. E quando as coisas são feitas com pedras no sapato pouco há a fazer, por mais vontade que se tenha. E ele tem-na. Paulo Bento é um daqueles verdadeiros leões, o último suspiro da geração Sá Pinto. É certo que tecnicamente não eram grandes artistas, mas lá vontade tinham eles.

Bento foi igual a ele próprio enquanto treinou o Sporting: muita garra, pouca cabeça. E foi isso que provocou a risibilidade leonina. A incapacidade se se ser analítico. Achou-se que bastava a vontade e um pouco de talento para resolver os problemas, mas por vezes também é preciso ser inteligente. E Bento, quando achou que a fórmula vontade + ⅓ talento estava esgotada, pediu para sair. Bettencourt, teimoso, convenceu-o a ficar mais uns meses. E errou. E agora Bento sai pela porta pequena quando poderia ter saído sem esta contestação toda.  O desgraçado que vier para o seu lugar vai apanhar uma equipa praticamente virgem, terá que começar tudo de novo. Infelizmente terá de o fazer já no caminho para Maio/Junho, uma vez que o comboio da Liga saiu da estação há 3 meses.

Agora o rescaldo: Bento faria muito melhor num clube que se desse ao luxo de gastar uns 10/15 milhões de euros por temporada. Assim, amealhou apenas duas Taças de Portugal, foi presença assídua na fase de grupos da Liga dos Campeões, fez boa figura na Taça UEFA e raramente envergonhou os adeptos (não considero que as Hecatombes de Munique tenham sido culpa dele directamente). Foram quatro anos de promessas e esperanças constantemente adiadas, o que, para um clube como o Sporting já não é mau. Sofremos, mas sempre com dignidade e… tranquilidade. A travessia no deserto durante aqueles 18 anos ainda está demasiado fresca para nos termos habituado a outra coisa. Em resumo: não acho que o advento de Bento tenha sido negativo, mas podia e devia ter sido muito melhor.

Vou sentir mais falta do sarcasmo e da cara de mau do que de outra coisa qualquer.

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