Um flagelo chamado WWW

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Segundo o Telegraph, a internet é um flagelo tão grande para certas coisas como o Sporting Clube de Portugal o tem sido para os nervos de qualquer adepto ou sócio. Uma dessas certas coisas, listada com o número 7, é o nervosismo de um adolescente quando compra a sua primeira revista porno. Isto é um facto. A internet acabou, ou está a acabar, com um dos maiores rituais de passagem para a adolescência dita normal. Depois de um miúdo sair de uma papelaria com uma Penthouse, com uma Playboy, ou com outra publicação muito mais bardajona, debaixo do braço, aquele futuro adulto é um adolescente de pleno direito: assume perante outras pessoas que dali a 10 minutos estará em casa a bater uma sarapitola porque é isso que lhe apetece. No entanto, hoje em dia, liga-se o computador, digita-se a expressão “gajas nuas”, “gajas com gajas”, ou “gajas com cavalos”, conforme as preferências, e é vê-las a desfilar, gigabytes e gigabytes de material daquele à distância de um clique – passe o lugar comum.

Curiosamente não me lembro da primeira vez que comprei uma revista pornográfica, talvez por provavelmente ter sido uma experiência comunitária – a compra da dita, não o usufruto da mesma que não entro em chavascais -, mas lembro-me bem de uma vez que acompanhei um caro amigo a uma papelaria, propriedade de uma amiga da minha mãe ainda para mais, com o propósito de se iniciar nessas lides de prazer gráfico-solitário. Ora, o meu caro amigo ia tão nervoso que preparou mentalmente todas as respostas possíveis em vários cenários, inclusivamente num em que senhora da papelaria se negaria a vender uma Playboy (edição brasileira) a dois miúdos com bigodes à Cantiflas. Era esse o seu pior medo. Depois de contemplar a fachada durante uns minutos, entrámos. Eu entretido na secção de B.D. enquanto ele escolhia nervosamente a playmate que o iria aconchegar durante a noite. Escolheu uma mamalhuda qualquer, obviamente e dirigiu-se para o balcão. Acto contínuo, a tal amiga da minha mãe pergunta-lhe com toda a calma do mundo se não queria levar mais nada e ele, vermelho e inchado que nem uma lagosta-balão, responde prontamente “se não quer vender não venda, vou a outro lado!

Depois de uma troca de olhares, uns de vergonha, outros de plena confusão e outros ainda de pleno gozo, o rapaz lá pagou e seguimos o nosso caminho.

São momentos destes que se irão perder para todo o sempre com o advento World Wide Web. Obrigadinho, pá!

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