O Luís Miguel Oliveira sabe muito.

Sem duvida. Basta ler o seu artigo na diagonal para encontrarmos expressões como “frisson sensorial”, “comboio dos Lumière” e outras referências à história do cinema. O Luís é um gajo de elevada estatura intelectual, sem dúvida. O que não percebo é para onde estão apontadas as suas baterias de ódio cinéfilo. À maquinaria de Hollywood? A James Cameron, cujo pior filme como realizador é sem dúvida A Verdade da Mentira e não Avatar, como diz o douto crítico? Ao facto de o supracitado Avatar só ficar mesmo bom em 3D e por isso afinal é um filme mau? Ou o seu ódio visceral não tem nada a ver com Cameron e Pandora, mas sim com a dificuldade de realizar um remake tridimensional de Fanny och Alexander?

(Os close-ups do Bergman devem ficar assombrosos em 3D)

Não discordo totalmente dele, seja qual for o seu alvo. Hollywood por vezes enoja e é um facto comprovado que a recorrência à tecnologia 3D diminui os downloads ilegais e aumenta as receitas das salas de cinema. Mas vamos lá raciocinar como seres humanos que somos: nem tudo é mau em Hollywood, nem o 3D é o futuro absoluto do cinema. É um “checkpoint”, por assim dizer. A internet, principalmente a banda larga, fez com que seja mais fácil e mais barato ver filmes no conforto do lar. Agora, as produtoras arranjaram uma forma de ultrapassar as casas dos piratas tornando o cinema mais efusivo que nunca. Todos sabemos, pelo menos a malta da minha faixa etária, que o 3D não é novo: lembro-me que deixei a chupeta porque o meu pai me disse que o Monstro da Lagoa Negra lhe tinha mexido (tinha aí uns 3 anos e lembro-me perfeitamente da cena toda, já podem ver o trauma que tinha com o animal). Mas também sei que o 3D de há 30 anos não é o mesmo 3D de agora e que os óculos não são um incómodo assim tão grande, não podem ser, não há maneira de uns óculos de plástico serem incómodos. Também fico com dores de cabeça quando uso os óculos 3D, mas a experiência normalmente ultrapassa o sacrifício.

Na verdade, o que eu acho que Luís Miguel Oliveira quer dizer com aquelas 835 palavras (houve um comentador que tinha demasiado tempo livre) é que Avatar não é nenhum marco histórico do cinema porque ele mesmo já viu um programa na BBC que dizia que daqui a dez anos é que é. Ou seja, Avatar é um mau filme porque, apesar de Cameron ter criado um mundo inteiro de criaturas fantásticas e paisagens de tirar o fôlego, apesar de ter criado uma história com muito sentido nos tempos que correm, apesar de ter transformado um projecto com 14 anos na maior aventura cinematográfica desde o Senhor dos Anéis e Matrix, ele, Luís Miguel Oliveira, já está muito mais à frente que isso.

Link para o artigo original no Ípsilon

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2 pensamentos sobre “O Luís Miguel Oliveira sabe muito.

  1. Aqui para nós que ninguém nos lê, também achei isso. Contar até 835 é coisa de autista. Mas tem que concordar que a preocupação com o número de palavras escritas pelo nosso amigo Luís é quase tão absurda como a preocupação provocada pelo que ele escreve. Assim estamos os dois no mesmo barco de “demasiado tempo livre” uma vez que li o artigo 4 vezes.

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