Viu-se e quase que se recomenda

É um filme de quases. Quase é um bom filme. Quase que as prestações dos actores são brilhantes. Quase gostamos da realização e montagem. Sinceramente não consigo descrever concretamente o que está mal. Parece-me que Terry Gillian se viu com uma boa história nos braços e não se conteve em mandá-la para a frente das câmaras. Não foi totalmente descabido: a história até que é boa, mas em filme fica ligeiramente aquém. Como nos tivessem posto à frente um prato farto e delicioso e depois de comermos alarvemente ainda não estamos satisfeitos. Heath Ledger morreu iam as filmagens a um terço de gás e foi substituído por Depp, Law e Farrel. Curiosamente a primeira mudança de aspecto, de Ledger para Depp, é tão natural que achamos que ainda se trata de Ledger quando é Depp, mesmo depois de pensarmos que Ledger estava a imitar Depp – e estava, mas não sabia que ia morrer nem que Depp iria susbtituí-lo.

Mais: Depp já estava a filmar o Inimigos Públicos quando o desastre da morte de Ledger se abateu sobre Gillian. Depp tinha apenas um dia e três horas disponíveis para filmar as suas cenas no “Imaginarium” e foi o que fez. Saiu tudo à primeira. Depois doou, ele e os outros substitutos, o dinheiro do cachet à filha mais nova de Ledger. E mais ainda: Tom Cruise ofereceu-se para substituir Ledger mas Gillian recusou sob o pretexto de este não ser um dos amigos mais próximos do falecido. E mais ainda: um dos produtores, William Vince, morreu de cancro e Gillian sofreu um grave acidente rodoviário. Terá dito depois do filme terminado “Eu não fiz este filme. Forças superiores fizeram-no. Fez-se sozinho. Ganhou o seu próprio movimento imparável. Apenas precisava de sacrifícios humanos“.

Acabou por ser um filme muito intenso no plateau, não duvido. Mas no ecrã, que foi onde eu o vi, ficou muito atrás de outras obras de Gillian como 12 Macacos, Delírio em Las Vegas e mesmo dos Irmãos Grimm. Seja como for, o cinema não é feito directamente na tela. É feito por pessoas que trabalham arduamente para mostrar a sua história à Humanidade e, como diz a filosofia presente no filme, enquanto alguém contar uma história verdadeira ou falsa em qualquer parte do Mundo, ele não parará de girar.

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