‘Toutaver, pá.

Que James Cameron se esmerou isso já era óbvio muito antes de ver o filme. Que Pandora é um mundo fantástico habitado por criaturas fantásticas e fenómenos ainda mais fantásticos também não é novidade para ninguém, mesmo sem ter visto o filme.

Ontem vi-o. Não em 3D, que a sala de cinema de Arraiolos ainda é demasiado míope para tal, mas o som fez-se ouvir e a imagem não é assim tão má quanto isso.

Vi-o e devo dizer que já percebo o porquê do Hurt Locker ter ganho tudo o que era suposto o Avatar levar para casa. E ainda não vi o Hurt Locker. O Avatar é uma história banal, com interpretações banais. Sigourney Weaver, sendo ela o expoente máximo daquele leque de actores, não faz nada de especial: ali não há Tenente Ripley. Filmar com tanto CGI assim dever ser coisa mais simples do que parece para um realizador experiente. Não percebi os planos em que Cameron deixa a ideia de que a malta anda com a câmara ao ombro e está a filmar um documentário – aposto que essa técnica tem um nome, mas a minha ignorância não permite mais -, a bem dizer até são agradáveis esses planos, mas não fazem sentido. Fazem sentido, isso sim, no Distrito 9, que é assumidamente um falso documentário, mas não na selva de Pandora. Fiquei com a ideia de que foi mais uma coisa que Cameron surripiou às histórias que já se contaram em todo o mundo.

Mas afinal Pandora até tem piada. Um mundo perigoso, apesar de extremamente colorido e luminescente – muito mais do que o meu gosto pode suportar – habitado por um ciclo permanente de energia que toma variadíssimas formas, desde os inteligentes Na’vi, aos ferozes Turoks, passando pelas plácidas árvores sagradas. Está tudo ligado em Pandora através de uma colossal rede neuronal que interliga todos os seres vivos, as suas memórias, medos e vontades. Gosto disso, apesar de Buda já ter falado nessas coisas há uns anos atrás. Gosto também do sorriso da Michelle Rodriguez: uma mulher de tomates, como de costume, mas com uma consciência a roçar a Madre Teresa.

Avatar é filme comestível, sem dúvida. Mas no cinema, de preferência em 3D. E apenas por crianças que aquelas cores todas põem-me a espumar da boca. Se desse notas este levaria 2.5 em 5. Só porque nunca dei um 2 e não me apetece começar hoje.

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