paraSITE: como as coisas estão…

… Talvez venha um dia a precisar de um estaminé destes, que o diabo seja amblíope, gago e mouquinho, cruzes canhoto. A verdade é que nunca se sabe. E outra verdade também é que um sem-abrigo numa cidade é como um incisivo completamente podre ou uma verruga peluda numa cara de resto bonita. Apesar de não ser visível, existe uma guerra à mendicidade: bancos de jardim desconfortáveis, parques vigiados, poucas reentrâncias arquitectónicas – e mecanismos para as diminuir – onde um indigente se possa abrigar convenientemente. A menos que se matem todos, ou se atirem para uma favela, ou que a Civilização chegue a um ponto tal que a mendicidade seja erradicada, sempre haverá gente sem tecto. Culpa do vil metal, e de mais ninguém, mas não há nada a fazer desde que há 10.000 anos decidimos viver dependentes do carcanhol.

Há algo a fazer, sim. Um abrigo facilmente transportável por quem vive na rua. Um abrigo feito de sacos de plástico e fita-cola. Ou seja, um pequeno amontoado de plástico que, quando ligado por meio de uma conduta a um qualquer sistema de exaustão, se transforme num abrigo confortável, afim de mitigar por pouco que seja o sofrimento de quem não tem mais do que aquilo que carrega consigo. Daí o nome: paraSITE. Um parasita que apenas rouba ao seu hospedeiro ar quente saído de um aparelho de ar condicionado, por exemplo, e um pouco de passeio público. Um parasita que afinal até pede pouco.

Foi criado por Michael Rakowitz, artista residente em Chicago, e estão em circulação 30 destes casulos insufláveis um pouco por todos os Estados Unidos. Os que deles usufruem não cabem em si de contentes: não bastava o relativo conforto do abrigo, ainda é uma forma de esses indigentes, esses restos de civilização que ninguém quer comer nem aquecidos, dizerem ao mundo “aqui estamos nós, mesmo que ninguém nos queira ver e temos um tecto mais bonito que qualquer casa de imigrante”.

Link.

P.S.: Tomei conhecimento deste projecto através da revista Arqa, que é coisa para custar 11 euros (!). O que custa ainda mais é saber que quem colocou o artigo nessa revista de 11 euros (!) mais não fez do que ir à página do artista e traduzir letra-a-letra, parágrafo-a-parágrafo o texto integral que lá está. Onze euros de revista bimensal e não há meios para redigir um texto original? Caramba, que eu aqui, sem pedir dinheiro a ninguém e em 20 minutos, fiz mais que a dita revista. Quero os meus 11 euros, por favor.

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