Viu-se e não se recomenda: O Lobisomem

Confesso que estava algo curioso com o dito filme. Anthony Hopkins e Benicio del Toro são dois pesos pesadíssimos do cinema americano; o ambiente vitoriano-rural deixou-me com água na boca; tendo em conta a recente invasão vampírica, achei que um bom filme de licantropos me iria saber a mel. Contudo essa ilusão foi sendo desfeita lentamente, como um castelo de areia no subir da maré. Repare que o cliché usado pelo autor não é descabido: todo o filme no qual este texto se centra é um enorme cliché. A coisa começa a cheirar mal assim que Hopkins nos apresenta Singh, um sikh indiano, servo da personagem do eterno Hannibal. Quase que posso ver a cara de espanto estampada na fuça do caro leitor. A mansão semi-deserta, a beldade que ainda vive num dos quartos, as tragédias familiares e até a barba e a bengala de Hopkins, tudo aponta para um facto inexorável: Hopkins é o lobisomem que infecta o filho e mata o outro e a mãe destes. Desculpe-me o spoiler, mas na realidade tento evitar que perca duas horas da sua vida com este filme.

Outra coisa que está demasiado presente no dito filme é o factor cagaço. São às centenas os pulos que se dão a ver o filme, especialmente se o seu lugar ficar a 3 metros da coluna mais próxima. Pode-se dizer que os sustos são como as piadas de alentejanos: duas são giras, a partir daí chateiam. Pior ainda que o número é a falta de originalidade dos supracitados cagaços. Vê-se a besta hominídea entrar para dentro uma carroça, um dos perseguidores chega à porta e percuta o escuro em busca da sua presa. O que acha o caro leitor que acontece a seguir? Um salto, um rugido e sangue que voa. Sustos deste fazem-me suspirar pelos assustadores aspersores de jardim de Shyamalan n’A Senhora da Água. Isso sim, um susto brutal, e deu para 3 vezes durante o filme.

Nem sequer a caracterização do animal estava alguma coisa que merecesse ser vista. Já viu o Lobisomem Americano em Paris? Ora aí está um lobisomem e uma transformação de meter medo. Não acho que um gajo com a roupa rasgada e pêlo na cara seja assim uma coisa assustadora por aí além. O Pacheco Pereira, de fato e gravata impecáveis, assusta muito mais.

Resumindo: não perca tempo com este filme em particular. Mais vale o filme com o mesmo nome de 1941, mais vale o Bad Moon, ou o Lobisomem Americano em Paris, ou mesmo o Lobijovem. Mais vale 15 minutos em modo repeat do Underworld: Rise of the Lycans, do que este hino à previsibilidade. Nem Hopkins, nem Del Toro, nem Hugo Weaving, nem a carinha laroca da Emily Blunt me compensarão alguma vez pelas preciosas duas horas de vida que perdi naquela sala.

2 pensamentos sobre “Viu-se e não se recomenda: O Lobisomem

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