Fabulosa Islândia

Desde que li o Viagem ao Centro da Terra do grandessíssimo Jules Verne que vejo a Islândia como um local misterioso. Um lugar assente nos alicerces da própria Terra, onde a criação e a obliteração se misturam e confundem como em poucos lugares. Imagino, sinceramente isto parece-me tão provável como o Benfica ser campeão este ano, que podemos entrar por uma qualquer caverna num ermo de impossível pronúncia para qualquer criatura latina e descer a essas fundações pétreas, abafadas, incandescentes, e encontrar um novo mundo dentro do nosso próprio mundo, habitado por criaturas e plantas que só nos mais loucos sonhos dos maiores sonhadores do Mundo seriam possíveis de existir. Não é só Verne que acende essa imaginação. Há também os nomes dos locais. Há a ignorância da grande maioria dos Europeus no que respeita à Islândia. Podemos nomear, por exemplo, meia dúzia de bairros de Londres e Paris mesmo sem termos lá ido, mas só o nome da capital islandesa é difícil de pronunciar. Depois há os vulcões, os ermos, os glaciares, os lagos sulfurosos, os geyseres, a Bjork. Tudo coisas passíveis de pertencerem ao domínio do maravilhoso.

Por isso, quando aqui há atrasado se soube que a Islândia atravessava a maior crise económica de sempre, achei estranho. A Islândia, como uma terra que só não é tão mística como Atlantis porque de facto existe, deveria estar acima dessas minudências. Economia é um conceito demasiado terreno, demasiado frívolo, para poder existir num país como a Islândia. Agora um vulcão, o Januário, chamemos-lhe assim para não ter que fazer copy/paste do verdadeiro nome porque escrevê-lo está acima das minhas capacidades; dizia eu, o Januário, entrou em ebulição e pôs a Europa – ou muita gente e muitas companhias aéreas – de patinhas para o ar. E, enquanto no norte do velho continente há pessoas a puxar os próprios cabelos à beira do desespero, a pagar fortunas por um táxi, a dormir em bancos de aeroporto; num estranho e frio país onde falam uma língua tão dura e afiada como obsidiana, os seus habitantes assistem a espectáculos naturais como aquele representado pela fotografia acima.

Todos os dias.

Fotografia tirada por Marco Fulle alarve e reverentemente mitrada do APOD.

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