Visto e recomendado: Shutter Island

Tendo em conta que o realizador é um individuo que se dá pelo nome de Martin Scorcese, e que o elenco é composto por um DiCaprio que está cada vez mais no caminho de ser o maior actor de sempre; um Ruffalo que nem sempre é mauzinho de todo e um Kingsley que é um verdadeiro senhor, dificilmente poderíamos esperar um mau filme. E não é de todo um mau filme. Tenho para mim que Scorcese ter-se-á inspirado em dois Davids: Cronenberg e Lynch, o que a ser verdade mostra que Scorcese se consegue inspirar tanto nos colegas, como os colegas se inspiram nele, coisa que só é má quando confundida com outra merda qualquer. Esta ideia, que pode ser parva já que veio de mim, surgiu primeiro por causa de uma banda sonora que quando reduzida àquela repetitiva nota no contrabaixo deixa o espectador tão tenso que poderá sofrer um AVC sem qualquer outro estímulo ou problema físico (Cronenberg); e depois porque até uma certa parte do filme estamos tão baralhados que temos a sensação de ouvir a gargalhada demoníaca de David Lynch vinda da fila de trás, apesar de o filme terminar com as coisas bem claras no cérebro do espectador, coisa que dificilmente acontece num filme de Lynch.

Não obstante os pequenos pormenores de realizador que Scorcese gosta de pespegar nos seus filmes, o Shutter Island não é nada nunca antes visto. Chegados ao fim da história podemos admirar-nos da estoicidade resignada da personagem de DiCaprio, ou mesmo desiludirmo-nos com o seu aparente fracasso, mas nada muda a verdade: atiraram-nos para a cara uma história banal, apesar das viravoltas e do macabro lá presente. Atenção que disse “história banal” e não “filme banal”. Esse é muito acima da média, mesmo da média medida pela bitola Scorcese.

2 pensamentos sobre “Visto e recomendado: Shutter Island

  1. é engraçado, todo o seu blogue se pode apelidar daquilo a que se chama o império do machismo e da masculinidade – é pena que mesmo essa perspectiva que lhe é própria seja muito fraquinha. Avé, há sempre um público.
    estava só de passagem, por acaso, tropecei.

  2. Caramba, um comentário que recebo e é logo a levar no focinho (nós, machos, falamos assim mesmo). Numa coisa concordo consigo: é muito fraquinho. Mas lá vamos andando, umas vezes frouxinhos, outras vezes com um tesão que mete medo, pela blogosfera fora – lá está a masculinidade. Aliás, até se esqueceu de outra coisa: podia ter falado da infantilidade inerente a essa coisa do machismo/masculinidade, porque é bem verdade que sou um miúdo e às vezes chego mesmo a ser um bando deles.

    Se bem que comentários não-construtivos como o seu de pouco servem a mim ou a outro gajo qualquer. Mas pronto, é a sua opinião e essas, toda a gente sabe, são como os ânus: cada um tem o seu e quem o quiser dar dá. Vou tentar ser mais paniçolas da próxima vez que cá “tropeçar”.

    Obrigado e volte sempre.

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