Da engorda do IVA

Confesso, não vi a notícia. Os meus níveis de sportinguismo e ateísmo no sangue são demasiado elevados para poder suportar um telejornal nos dias que correm. O que é facto é que essa notícia me chegou aos ouvidos e nem sequer foi pela blogosfera: por estranho que pareça foi durante uma conversa sobre paintball. É difícil descrever por palavras aceites pelo dicionário Priberam o repúdio, a vergonha, que sinto em ter um Governo assim tão arrogante. Não falo obviamente do nariz arrebitado de Sócrates, esse está cada vez mais a perder a luta contra a gravidade. Falo, obviamente, do facto de a notícia ter sido libertada no preciso momento do ano da década do século em que três das coisas mais importantes para Portugal se conjugam: a vinda do papa, o Benfica campeão e o Mundial da África do Sul – neste caso sob a forma da uma sempre polémica convocatória. Isso é gozar com a inteligência de quem vota e de quem lhes paga os ordenados. E mais, como se pode confiar num executivo que depois de prometer que não faz, acaba por fazê-lo debaixo da infantil desculpa “ah, mas não era deste aumento que nós estávamos a falar, plebeus, esse é outro e mantemos a promessa”. Ora, se isto não é um insulto não sei o que é.

Não há palavras demasiado duras para gente deste género, gente selvagem, sem a mínima honra, sem a mínima humildade, gente cujos únicos sinais de civilização que transportam são os fatos caros e o palavreado genérico de quem não quer dizer nada mas dá a entender que diz muito. A sorte deles, bem como dos prováveis patéticos governos sombra, é Portugal ser um país de mansos. Nem a oposição na Assembleia nos vale já que, podendo placar o protostómio pencudo, raramente  alguém o faz, preferindo fazer acordos e alianças ao sabor dos acontecimentos como num jogo de Risco.

Li algures, há muito tempo, que “a pior fúria é dos calados”, que podem pisar esses tais “calados” que eles aguentam, mas quando essa “fúria” se liberta é o chamado vê-se-te-avias. Ora só quero deixar um conselho a quem acender o rastilho: aquela coisa dos cravos em 74 foi muito bonito, quase Mandelesco de facto, mas desta vez usem munições a sério. Porque esse 25 de Abril foi, na verdade, uma revolução de mansos e já estou farto que me passem a mão pelo pêlo.

Sócrates não respeita o povo, portanto por directrizes éticas, o povo não é obrigado a respeitar Sócrates.

Sócrates não teme o povo. Mas devia.

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