Não é preciso ser economista para perceber.

Hoje, num dos telejornais da hora de pasto, num dos canais dos pobres, surgiu uma peça jornalística sobre um senhor de 96 anos que pouco mais fazia que cultivar a pouca terra que tem. Enxada na mão, olhar resoluto atrás de uns modernos óculos de sol, pele mais curtida pelo frio e pelo sol que as passas do Algarve, tremeliques maxilares próprios da prodigiosa idade. Diz que não há médico que visite e poucas são as reciprocidades nesse aspecto. Uma articulação dorida e uma ou outra gripe mais afoita às defesas de quem passou quase um século na rua, a trabalhar a carne e a terra, são as suas únicas aflições no campo da saúde. Vive do que cultiva e sobra-lhe para dar e vender. Não são, porém, estas conquistas admiráveis que me fizeram levantar o sobrolho de espanto. Isso deu-se quando respondeu à pergunta “o que acha desta crise”. De voz rouca mas firme a resposta foi qualquer coisa como: o dinheiro nas mãos dos ricos apodrece nos cofres, mas nas mãos dos pobres faz girar a nação e o mundo.

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