Queiroz não deve ser (o) único.

É óbvio que há algo de estranho nas equipas mais fortes em competição na África do Sul. A Inglaterra, uma equipa experiente, frívola, com um treinador igualmente experiente e frívolo, cambaleou depois de uma patacoada do seu guarda-redes e consentiu empatar com a ex-colónia. A Argentina brilhou tanto que se ofuscou a ela própria e teve de ser um lateral com nome de ketchup a atirar com o empate a zero para longe. A Itália, toda poderosa, não passou da cepa torta a um golo com a Nigéria. O Brasil jogou bem, sim senhor, mas tivesse o golo da Coreia aparecido mais cedo e a conversa poderia ser outra. E agora a Espanha, valha-me deus, deixou-se comer pelos poucos suíços que efectivamente não são bancários, relojoeiros ou portugueses. Será Queiróz o verdadeiro treinador de todas as equipas que desiludiram na primeira jornada, e isto é tudo uma terrível conspiração para a Alemanha ser campeã do mundo? Porque realmente foi a única equipa, de braço dado com a Holanda, que fez o que era suposto: vencer sem espinhas a uma equipa mais fraca.

Eu sei que é aborrecido falar das vuvuzelas – nem sei o que será mais aborrecido, falar da maçada que são as vuvuzelas, ou as próprias vuvuzelas per se – mas será que o problema não está precisamente aí, na famigerada corneta africana? É o único denominador comum entre as catástrofes que têm sido a grande maioria dos jogos deste Mundial. Queiróz, não pode mesmo estar em todo o lado; e se não se ouvissem vuvuzelas nos estádios a minha opinião ficava do lado da teoria da conspiração, mas assim sendo só posso apontar o dedo à corneta. Sem comunicação entre jogadores as equipas que mais vantagem ganham, por um lado, são as mais fracas (com ou sem conversa em campo aquilo é sempre igual), e por outro, as teutónicas, como a Holanda e a Alemanha, cuja fleumática língua é tão famosa como o seu calculismo e frieza (diz-se que os alemães têm sempre tudo tão bem estudado, no futebol ou noutra coisa qualquer, que não precisam de comunicar entre eles para adivinhar o que cada um vai fazer).

Claro que o problema de Portugal deve ser outro, já que estamos no meio dos dois pólos supracitados: não somos tão maus como a maioria, nem tão bons como os melhores. Dizem os litúrgicos da bola que Queiróz tem medo de arriscar. Eu acho que ele tem é medo da vuvuzela. Aquele barulho deve entrar-lhe pelas orelhas adentro até se transformar num terrível arrepio para terminar em lancinantes memórias. Lá terá as suas razões; não fui eu que cresci em Moçambique, mas já vi outras aplicações (Link 1, Link 2) para a dita corneta e só posso imaginar o que lhe terá acontecido. Imaginar, acreditar e tentar compreender.

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