Considerações sobre o Mundial:

1. Vi, com algum espanto e bastante alívio, o resumo do Eslovénia – Inglaterra e percebi que os súbditos de Isabel II ainda estão na luta pela Taça com unhas e dentes. O empate com a ex-colónia americana e com a Argélia fazia temer o pior, mas ao que parece a equipa que possui os dois melhores médios do mundo (Frank Lamp e Steve G.) ainda terá uma palavra a dizer nos oitavos de final. A tentativa inglória de Terry para desviar um remate dos eslovenos foi a metáfora perfeita do jogo: a bravura do mergulho (as estatísticas foram esmagadoramente a favor dos ingleses); a inteligência de ter deixado os braços para trás (a circulação de bola no ataque inglês deixou a do Barcelona a léguas de distância); a frustração de ter falhado o corte (o jogo podia ter acabado com uma goleada o que daria bastante jeito a uma coisa chamada auto-estima). Defrontarão a poderosa Alemanha nos oitavos, mas poderá ser aí, se Capello seguir a Teoria Queiroziana Para a Recuperação de Génios, que Rooney consiga pôr definitivamente os seu ketchup a correr.

2. Adeus França, mas acima de tudo, adeus Domenech. Juro que não sei o que fazia aquele cara-de-parvo ainda ao leme de uma das melhores selecções do mundo. Numa equipa orfã de Zidane sabia-se de antemão que o gajo não tinha ali lugar. Domenech à primeira vista parece uma versão beta alfa de Mourinho. Péssima, por sinal. Antipático, arrogante, mas sem carisma nem inteligência. Há gajos que nunca deviam treinar fosse que equipa fosse e Domenech é certamente um deles. O facto de não ter apertado a mão ao treinador da África do Sul mostra o calibre da besta.

3. Temos o Brasil pela frente. Dificilmente sairá uma goleada a favor de qualquer uma das equipas. Podemos perder e passar que a Costa do Marfim não vai ganhar por 8 à Coreia. É um jogo com um elevado índice de tranquilidade, a meu ver. Deveria, pelo menos. O Brasil, apesar de ter um ataque melhor que o nosso, não tem uma defesa melhor que a nossa. Podemos fazer muitos estragos jogando com calma e velocidade pelo chão, ao primeiro toque, sem precipitações e com certezas. Como no primeiro golo de Meireles, o Raul. Sem os inócuos cruzamentos à procura de uma cabeça no meio de quatro, sem os inofensivos passes largos com os atacantes de costas para a baliza, sem complicações, sem medos, de peito feito que chegamos bem para eles, jogo bonito, simples e eficaz. À inglesa, portanto.

Adenda:

4. E agora ardeu a Itália. Neste caso o acontecimento é só por si tão caricato que nem vale a pena acrescentar nada: as duas últimas equipas finalistas de um Campeonato do Mundo foram eliminadas antes dos oitavos de final. O caso da Itália não tem tanta piada como o da França, é certo. Nem sei bem o que aconteceu. Aquela equipa é uma mistura quase perfeita de jogadores experientes e jovens que jogam praticamente todos no campeonato italiano e se conhecem de gingeira. Nem deveria ser preciso um treinador quando se tem Cannavaro, Zambrotta, Gattuso e Pirlo. Portanto, vista daqui, a Itália, tal como a conhecemos outrora, está cadáver ou pelo menos irremediavelmente moribunda. Doravante, haverão outros jogadores, outras formas de jogar, e quando tudo estiver muito bem entrosadinho, aí sim, teremos a Itália em todo o seu esplendor.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s