De Sombras e Freud, o Sigmundo

A Sombra agarra-me enquanto caminho. Faz-me tropeçar e cair. Ri-se de mim, a puta. De joelhos e mãos no chão esforço-me por me lembrar que essa Sombra não existe. É a sombra de uma Ilusão – a ilusão que eras Tu – e assim sendo, como nada nasce de coisa nenhuma, a Sombra, a terrível Sombra, não existe. Sou eu que tropeço em mim mesmo. Suspiro e levanto-me.

Por vezes é ainda mais cruel, a Sombra. Chega a meter-se no meio dos lençóis para me assustar quando acordo. Pior mesmo é quando me agarra pelo pescoço contra uma parede e transforma as negrentas mandíbulas no Teu sorriso. O TEU SORRISO. O teu brilhante sorriso, o nosso brilhante sorriso, o sorriso que também era meu. Mal posso suportar o tormento, mesmo depois de tudo. Mesmo sabendo que a dita cuja sombra não existe e que a mão que me segura contra a parede é a minha.

Recomponho-me. Ajeito a roupa e os óculos, coço a barba e acendo um cigarro tremendo. Como se tivesse sobrevivido a um aparatoso acidente. Olho para o chão e sigo em frente, passos lentos mas firmes, com a plena consciência que poderei sempre fugir de Ti, mas nunca, nunca, de Mim.

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