N.I.F.: o Magno Fogareiro

O doutor Otto Octavius tentou isto pouco antes de se transformar no perverso Dr. Octopus e de o Homem Aranha lhe dar cabo do canastro. Senhoras e senhores, meninas e meninos, estamos prestes a criar uma estrela em plena Terra. A sério. E não, não estou a falar daquelas estrelas que se criam em Hollywood como cogumelos, apesar de Livermore ficar no estado da Califórnia. A National Ignition Facility pretende mesmo criar uma micro-estrela com núcleo de hidrogénio e tudo, capaz de devolver mais energia do que a que foi injectada de início, como qualquer estrela que se preze.

Tudo começa com uma pequena cápsula de 2 mm de espessura cheia de deutério e trítio, dois elementos que dificilmente se encontrarão num Bricomarché. Dezenas de lasers apontados e perfeitamente sincronizados bombardearão a tal cápsula do Génesis a uma energia tal que transformará o revestimento da cápsula em plasma, que depois, seguindo a Terceira Lei de um fulano chamado Newton, se encolherá – o plasma, não o Newton – e colapsará para um único ponto de alta densidade. É aqui, no colapso, que o tal plasma provocará uma onda de choque do exterior para o centro, onde encontrará o combustível – deutério e trítio – e, se tudo correr bem, KABUM!, teremos a tão esperada ignição de uma estrela.

Se o engenho humano conseguir manter as condições ideais de temperatura e pressão durante tempo suficiente iniciar-se-à outra coisa que faz muita falta às estrelas que conhecemos: reacção em cadeia. O dito micro-astro começará a consumir os produtos das próprias entranhas e aí sim, poderemos dizer que temos estrela, caraças!

Obviamente é mais fácil falar do que fazer. Quando falo ali em cima em energia injectada, falo por exemplo em 500 Terawatts (500.000.000.000 Megawatts) de energia projectados  de várias origens num punhado de picossegundos ( 1 picossegundo = 0,000.000.000.001 segundos) sobre um único alvo, o que é coisa para ser uma verdadeira carga de trabalhos.

E pronto, é isto. Se o leitor for do tipo que se está a borrifar para estas coisas mas que gosta de ver fotografias giras pode sempre clicar aqui para esgravatar bem as entranhas do NIF. Não é a Soraia Chaves, nem a sua vizinha jeitosa; nem o Boston Globe é o Facebook, credo não, mas imagino que haverá por aí muito físico a ter erecções com essas imagens e principalmente com a simples ideia de que estamos quase a criar uma estrela no quintal.

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