Perdido, mas a bater recordes

Ao contrário de Gilberto Madaíl, as minhas razões para sorrir prendem-se cada vez mais a coisas cada vez mais raras. Cada dia que passa mais difícil me é sorrir, quanto mais ri-me a bom rir, com vontade e alma. Atiraram-me do terceiro amor da minha vida abaixo e tentar levantar as fuças do chão no meio do monte esterco em que este país se vem transformando não é de todo uma tarefa para fracos de espírito. Esta semana disseram-me que o meu problema é “ter coisas mal resolvidas” em relação à tal pessoa. E eu que gostava tanto de culpar essa tal pessoa por todos os meus males, mas a verdade é que é só meia culpa –  hahahah, estava à espera que dissesse mea culpa, não era? Sou um pantomineiro, é o que é.

Como não se pode estar deprimido quando se tem 28 anos, a viver em casa dos pais, sem trabalho e qualquer tipo de relações sexuais com mulheres de carne e osso? Como não se pode estar deprimido quando as paredes parecem cada vez mais apertadas? Como não se pode estar deprimido quando se tem a perfeita noção que a culpa última de estarmos neste ponto é unica e exclusivamente nossa?

E agora a partir deste ponto, como levantar a cara? Como lutar contra isto? Como escapar ao enganador manto aveludado da depressão? De veludo por fora e dentes serrilhados por dentro, eu sei, mas ao menos tapa-me as pendurezas. E tão mirradinhas que elas ficam com este frio. Até dá pena, coitadinhas.

Enfim. Fumemos, como diz o outro.

6 pensamentos sobre “Perdido, mas a bater recordes

  1. Já passei por isso, por isso consigo compreender-te um pouco. O que fiz na altura foi começar a mexer-me a sério. Custou bastante porque foi uma fase muito complicada da minha vida, mas consegui.
    Ok, não tenho a vida que gostaria. Paciência. Mas fodasse, pelo menos já não estou desempregado nem vejo a minha vida como um vazio.

    Em relação a amores e desamores, desde que comecei a tomar uma abordagem mais fria comecei a ter muito menos chatices. Foi “remédio santo”.

  2. Isso dos amores é sempre uma faca de vário “legumes”, como diz o outro. Acredito que isto seja apenas uma coisa temporária – tem que ser, caraças! -, mas torna-se dificil ver luzes ao fundo do túnel. E com a sorte que tenho, se houver alguma luz será com certeza o Intercidades. Nesta situação é fácil um gajo baixar os braços e ficar quieto, mas tenho lutado contra isso. Agora a travessia no deserto ninguém ma poupa.

    Obrigado pelo apoio, pá.

    Abraço.

  3. Como dizia um treinador de futebol que tive durante a minha infância e início de adolescência, «para trás mija a burra». Ele, com isto, queria dizer que devíamos passar a bola para a frente e não para trás.
    Custar, vai sempre. Sabendo isto, olho antes para o presente e futuro; o passado fica passado. Há mais coisas boas que virão a seguir, e outras, e outras, e outras […] e outras.
    E, também, fico com as memórias. Adoro memórias e gosto de as recordar de vez em quando, durante um pouco, para depois me concentrar no presente e no futuro.

    Se tristezas pagassem dívidas, eu já tinha comprado e pago um carro novo, que bem preciso.😉

  4. Por enquanto passo bem sem memórias; era elas desaparecerem um bocadinho e era um mimo. E lá está, olho para a frente, mas, caraças, não se vê nem um corno nem o outro… Por enquanto.

  5. “Vê mais longe a gaivota que voa mais alto”, diz o nosso querido amigo Richard Bach, lembraste?! Pensa nisso, e apanha de uma vez por todas o Intercidades, bolas!!!!

  6. Mas aqui nem sequer há Intercidades. Vá lá haver Expressos e poupa-os. E talvez esteja a precisar de um bocado de filosofia barata, sim. A cara não dá os frutos que preciso agora.

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