O que se passa na mesa de cabeceira

O deus dos sonhos foi aprisionado durante 60 anos numa redoma de vidro trancada por um selo arcano. Roubaram-lhe os seus preciosos artefactos e o mundo, sem perceber, caiu numa noite sem sonhos.  Mas ele é um dos Perpétuos. Ele pôde esperar. Agora, uma distracção dos comuns mortais quebrou o selo que o prendia. “Mister Sandman, give me a dream...” Ao mesmo tempo, o Comediante, um dos heróis que defendiam a Humanidade dela própria, foi misteriosamente atirado do sétimo andar do seu prédio. Não seria fácil atirar um homem tão corpulento pela janela. Não seria fácil sequer, para qualquer sacana de rua, entrar-lhe em casa sem ficar gravemente estropiado. Não muito longe dali, em Basin City, Marv acordou com o recentemente conhecido amor da sua vida assassinado ao seu lado. Decerto a vingança será sangrenta quando alguém ousa pisar o calo de Marv “The Beast”.

Eu também vi os filmes das duas últimas histórias, mas os quadradinhos são mágicos. Desde o tempo da Turma da Mónica e do Chico Bento que o são. Recomecei pela história de Morfeu, o Fazedor de Sonhos, e vou saltando pelos outros. Na calha está o John Constantine na sua Hellblazer. Tudo graças, não a uma pipa de massa que me caiu do céu, mas ao Comix, uma coisinha que torna a leitura de e-comics em algo suportável. Ah, e graças aos torrents, claro.

No meio disto o Lobito das Estepes está meio esquecido mas muito perto do fim. Sei que lá dentro estão as sementes de renascimento pessoal, e também as suas némesis, as sementes de destruição pessoal. Sei que aquilo toca almas de alguma forma. Estranhamente, passei pelo sofrimento do Lobo das Estepes quase sem pestanejar. Depois surgiu a alegria, com a morte do Lobo e o ressurgimento do Homem Harry Haller, e fiquei praticamente na mesma. Com certeza que há alturas ideais para se lerem certas coisas. Parece-me que o Lobo das Estepes falhou no timing, contra tudo o que seria de esperar. Infelizmente. É, no entanto, algo que merece a pena ser lido e relido, sem dúvida. Acho até que vou sentir-lhe a falta quando sair da mesa de cabeceira a caminho da prateleira da biblioteca municipal. Gosto de o ter ali. Gosto da ideia de ter aquela obra por perto.

Afinal… afinal, parece que me tocou de alguma forma.

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