Do Facebook

Queria escrever um post a descascar forte feio no Facebook. Até tinha uns argumentos bem sólidos e um texto daqueles capazes de chamar trolls com fartura à caixa de comentários, mas depois apercebi-me de uma falha descomunal nesse ataque: o alvo estava errado. Na verdade pouco tenho contra o Facebook. Ou melhor, o que tenho contra o Facebook é o que tenho contra as pessoas que não vêem outra coisa para além da opus magna de Zuckerberg. O Facebook é o que se faz dele e parece-me francamente triste que algo que não acrescenta absolutamente nada a qualquer ser humano seja considerado o fenómeno da década. É a histeria à volta do Facebook que me enoja e não outra coisa.

A dita rede social foi criada com o intuito de fazer com que os geeks da faculdade de Zuckerberg não ficassem virgens até aos 40. Há algo de pitoresco aqui e não é de todo destituído de alguma piada. A questão é quando esse serviço se transforma num enorme golem e ultrapassa os muros da comunidade universitária. Quando vemos miúdas e miúdos giros comunicarem entre si única e exclusivamente no Facebook, alguma coisa de muito errado se passa.

Bem sei que isto são generalizações, bem sei que há quem use o Facebook para coisas bem mais úteis – o caro leitor decerto será uma dessas pessoas, não são todas assim, afinal? – mas a verdade é que me estou a borrifar para isso. Se quero partilhar ideias prego-as aqui; se quero conhecer alguém verdadeiramente interessante visito blogs e páginas pessoais, essas sim, imbuídas de alguma forma com a personalidade da pessoa em questão. O Facebook homogeneíza as pessoas, como naquele filme The Island. Todos vestidos de igual, todos a pensar igual, mas o penteado é à vontade do personagem. O que pode haver de bom nisso?

Espero pacientemente que a moda passe, porque há-de passar, ou então – e isto seria o ideal – o gigante golem de Zuckerberg explodirá pelas suas próprias costuras atafulhado na porcaria que ele mesmo convenceu as pessoas a fazer. Porque é giro ter Facebook, é giro coscuvilhar, é moderno, é assim, tipo, tás a ver, ai não sei explicar, mas o Facebook é, tipo, diferente.

Serei sempre um velho, do Restelo ou de Alvalade, mas serei um velho enquanto as coisas antigas me parecerem francamente melhores do que a maioria das novas.

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