(chame-lhe o que quiser)

Um dia destes mudo aquele banner do salta-pocinhas da Ribeira. Porém, hoje não é o dia. E mudo-o por várias razões, uma das quais é a queda propriamente dita, a outra não digo. A queda, simbólica ou não, ali pictorizada até dá ares de ser algo bom, desejado pelo sujeito, há algo refrescante na cor do Douro ao fundo, até na falta de roupa do individuo; porque as quedas nem sempre são más, há a adrenalina dos breves segundos de descida seguida do redentor mergulho, mesmo tendo as sebentas águas do Douro como colchão. O caso, obviamente, mudaria de figura se o tipo estivesse de fato Armani e o fundo fosse composto por janelas de prédios: mesmo que o gajo apontasse a uma profunda piscina de águas límpidas a sensação com que o leitor ficava era francamente mais lúgubre. E não queremos isso aqui, não senhor.

Todavia o problema daquele banner não está nas suas virtudes, nem tampouco nos 2 anos de serviço que irá completar no próximo dia 11 de Dezembro. Vou mudar de banner simplesmente porque já não estou a cair. Quando o coloquei ali em cima apenas achei que tinha piada, que era giro e tal, mas agora dou-lhe outro significado mais metafísico. Efectivamente tenho passado demasiado tempo comigo mesmo. Dou-lhe mais metafísica e percebo que quando o pespeguei ali já me encontrava em queda livre, cada vez mais longe de mim mesmo, cada vez mais longe da “egosciência”. Ora, a queda completou-se, como compete a qualquer força gravítica, e não foi nada bonito de se ver, não senhor, mas já acabou, ainda bem coitadinho, benza-o deus. E neste momento onde estou? Estou cá em baixo, com os tomatinhos bem mergulhados no cocktail de coliformes fecais e outras miudezas que é o Douro, ou se preferir assim uma coisa mais espiritual, estou com a cabeça bem enfiada dentro de mim mesmo – cabe-lhe a si imaginar por onde entrou.

E daqui para onde vou? Olhe, faça o favor de se meter na sua vida, mas se quer mesmo uma resposta também não tenho. Acho que vou dar umas braçadas, esticar um bocado os músculos aqui no caldo mortífero de bacilos e amebas. Isto para já. Mas parece-me que não tardará muito a estar na posição inversa do jovenzito de calções verdes. Não sei por que acho isso, mas acho.

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