Terence McKenna: o Génesis Psicadélico

Imaginemos um homo erectus, há 1,5 milhões de anos, algures nas antigas florestas africanas, que se agacha para apanhar um cogumelo suculento, num dia abafado de verão. Os pais dele, e os pais deles e os pais dos pais dessa gente toda, já o faziam frequentemente. Um cogumelo é um pitéu. Saboroso, fácil de encontrar, de crescimento rápido e de vários tamanhos e feitios. O único problema dos cogumelos é a sua toxicidade, mas basta um simples conhecimento passado de geração em geração para perceber quais são os venenosos e quais são os comestíveis. Isso, o homo erectus já sabe. Os pais dele ensinaram-no. E os pais dos pais deles ensinaram-nos a eles. Agora delicia-se com o cogumelo que acabou de apanhar e com os outros todos que encontrou ali perto; como é sabido, um cogumelo nunca vem só. O que ele não sabe é que mesmo os cogumelos comestíveis podem conter uma substância chamada psilocibina. Mas já sabe o caro leitor que a psilocibina acelera as transmissões neuronais a ritmos alucinantes, provocando empatias e alucinações diversas, no geral induzindo a um estado de espírito eufórico. Todavia, o nosso homo erectus não está em nenhum festival de trance nem sequer numa festa hippie. Ele está simplesmente a alimentar-se. Ponto. Um mamífero, que parece o resultado de um cruzamento entre o Macaco Adriano e o João Baião, que emite vocalizações assemelhadas a grunhos, alimenta-se de uma iguaria que 1,5 milhões de anos depois iria fazer um sucesso enorme numa quinta chamada Woodstock. O material sobe-lhe à cabeça, sente-se feliz, começa a fazer amigos e amigas, faz uso do epíteto erectus e salta para cima de uma ou duas damas, sente-se excitado, grunhe, salta, dança, grunhe ainda mais rápido com cabeça revolta num rio de fragor psicadélico. Graças àquelas coisinhas esponjosas aquele grupo de símios quitados procriava e comunicava como nenhuma outra espécie. Sem suspeitar, o dito grupo de hominídeos hippies lançava as bases para a o refinamento do córtex cerebral, para a “invenção” das emoções e do raciocínio, caramba, até para a própria consciência. Como um atleta atafulhado de esteróides no ginásio, as trips inadvertidas obrigaram o cérebro daquelas criaturas a transformar-se na máquina biológica mais espectacular que se conhece.

Bem sei o que parece este palavreado todo: falta de tabaco nos cigarrinhos marroquinos. Na verdade é isso, mas também uma hipótese levantada por Terence McKenna, filósofo, metafísico, historiador, etnobotânico e psiconauta. Não sei se será verdade ou um devaneio bem construído por um janado, e não acredito nela mais do que acredito noutras teorias sejam elas quais forem, mas na realidade o gajo até faz algum sentido. Se não acredita, leia o artigo do obvious, veja os vídeos e siga os links. Se o tal McKenna ainda não lhe fizer qualquer tipo de sentido depois disso talvez devesse cortar nos cogumelos ou falar com o seu fornecedor.

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