O Preço da Beleza no Século XIX

O ano, 1896. A menina Paula Hitler deixara de ser um simples parasita e abria os olhos para o mundo e para o mais fabuloso de todos os irmãos mais velhos, um tal de Adolf, não sei se já ouviu falar. Aviso-o de que este post nada tem a ver com a família mais degenerada da Humanidade, mas era só para o histórico leitor ter uma perspectiva do contexto. Ora, ali muito perto dessa Áustria de Alpes e densas florestas, num pitoresco país chamado Alemanha, havia um escultor de nome Artur… Perdão, era Martin Goetze, mas hoje os ‘A’ maiúsculos parecem estar em altas. Dizia, um escultor chamado Martin Goezte, cansado de moldar o teimoso mármore e o escaldante bronze, decidiu esculpir seres humanos. Tenha calma, o homem dificilmente seria um psicopata, mas foi dos primeiros a sugerir a cirurgia plástica com vista ao embelezamento feminino. Estávamos no século XIX, meu caro, o silicone era apenas um sonho molhado e com os decotes a sério ainda a um século de distância, a parte mais sensual de uma mulher era… Prepare-se… Já está? A cara. Exacto. Também conhecida em alguns círculos mais boçais como tromba ou fuça, ou ainda fronha.

Assim, a miúda mais bonita do bairro não era a que tinha as mamas maiores – negros tempos, esses – nem a do rabo mais alçado – oh, deus, a barbárie! – mas sim a que tinha as covinhas na cara mais pronunciadas. É aqui que entra o génio/tarado sexual do nosso amigo Martin Goetze: por certo inspirado pelas ferramentas que ele próprio usava com o mármore e o granito, criou um aparelho (imagem à esquerda) que escavava, por assim dizer, as sensuais covinhas na face das donzelas, iguaria muito apreciada naqueles ominosos tempos. Funcionava como uma broca manual em que a ponta num dos braços fazia o seu trabalho de esburacar a pele suave e o outro braço, com um pequeno cilindro, amaciava a pele em seu redor. Pouco doloroso para tanta sensualidade, digo eu. Praticamente sem ironia nenhuma.

Mais tarde, em 1926, o progresso tecnológico era avassalador, afinal de contas era o século XX, e surgiu uma tipa chamada Evangeline Gilbert que resolveu melhorar ligeiramente o conforto do invento de Goetze. Então chegou-se à frente com aquela maravilha da cirurgia plástica que se pode ver na imagem da direita: uma espécie de queixeira regulável, apoiada nas orelhas como os meus óculos Ray-Burn, e que fazia as tais covinhas faciais no conforto de uma noite bem dormida. Menos esforço, a mesma beleza.

É uma pena já não se fabricar gente desta.

Fonte: Futility Closet.

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