Na Mesa de Cabeceira Com… Borges

Nove ou dez homens, que já estão mortos, viram o que os meus olhos viram – a larga estocada no corpo e o corpo debaixo do céu -, mas o que viram foi o fim de outra história mais antiga. Maneco Uriarte não matou Duncan: as armas, e não os homens, lutaram. Tinham dormido lado a lado, numa vitrina, até que as mãos as despertaram. Possivelmente agitaram-se ao despertar. Por isso tremeu o punho de Uriarte, por isso tremeu o punho de Duncan. As duas sabiam lutar – não os homens, os seus instrumentos – e lutaram bem essa noite. Haviam-se procurado longamente por esses largos caminhos da província e por fim encontraram-se, quando os seus donos já estavam reduzidos a pó. No seu ferro dormia e espreitava um rancor humano.

Jorge Luís Borges, O Encontro, Relatório de Brodie

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