Isto é um jogão do caralho!

Sou um jogador invertebrado. Não me enganei, não. Sou mesmo invertebrado. Sou desprovido da coluna vertebral que faz um gajo agarrar-se a um jogo até ver os créditos finais. Normalmente compro um jogo (alvíssaras à BGamer pelos excelentes títulos que ainda correm no meu Pentium IV a 5 mérreis a unidade), instalo-o, jogo umas horas até chegar a um ponto em que é preciso alguma paciência para ultrapassar. Não vou buscar cheats nem walktroughs nem o raioqueoparta. Simplesmente desaparece-me a vontade de continuar a desperdiçar tempo com aquele jogo e venha o próximo. Este FEAR, não sendo um jogo fácil, passei-o até ao fim sem uma pontinha de aborrecimento. E o que tem o FEAR a mais que os outros? Para começar tem aquela miúdinha que aparece ali na capa, um espírito atafulhado de ódio e rancor que teima em nos arrepiar o espinhaço com o jogo do esconde-esconde que gosta de jogar. Mantém-nos colados ao monitor, de mãos a suar, mesmo quando não se passa nada além de um tremelique de estática no indicador de comunicação ou nas luzes do cenário. Azulejos a saltar das paredes e a tipinha a correr com as mãos no chão saída de uma nuvem de vapor são também toques de uma finura Stephekinguiana muito apreciados. Os movimentos tácticos dos inimigos são também de louvar: nada de gajos aos tiros sem um mínimo de cobertura, nada de gajos parados à espera da nossa cartuchada nas nalgas. Não senhor. Os gajos topam-nos e é logo flanqueios e mudanças de posição, com artilheiros lixados no meio e atiradores nos telhados. Ali não se brinca em serviço.

Há também uma coisa que alegra o espírito além de ajudar na jogabilidade: a câmara lenta. É muito mais fácil acertar um tiro quando o tempo de reacção é mais lento e é muito giro, muito giro mesmo, ver os mastuços adversários a voar um bocadinho para trás de cada vez que uma bala nossa o estraçalha. Os irmãos Wachowsky dão-me toda a razão no último ponto com certeza.

Resumindo, compre a BGamer de não-sei-quando, feche-se no quarto e levante o som das colunas o suficiente para ouvir passinhos de pés descalços a correr atrás de si. Desça as persianas se for de dia e peça para não ser incomodado. Se tiver problemas de hipertensão não ligue a este texto e volte ao seu Solitário.

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