Um bocadinho de aranhiços, para desenjoar

(Se tiver algum grau de aracnofobia, por favor clique na imagem. Eu acho quase terapêutico)

Poucos anicetos (artrópodes+insectos) me atraem mais que a nobre classe aracnídea. São manhosas, as putas, talhadas por milhões de anos de evolução com o único intuito de engalfinhar o próximo. Exceptuando, claro, a já referida Bagheera kiplingi, que é practicamente vegetariana (!).

Ora, um artigo da Wired sobre as diferentes técnicas de caça das ditas criaturinhas pôs-me as quelíceras a salivar e deu-me para transpôr aqui para o tasco um apanhado da coisa em tradução mais que livre e numa linguagem assim a modos que a dar para o terra-a-terra, vá, de maneira que percebam que se as aranhas não dominam o mundo é só porque nós inventámos o Dumdum antes delas.

Vamos lá então…

Aranha Pescadora

Penso que a imagem é auto-explicativa. Falta só dizer que o dito bicho passa horas com as patas da frente a tocar na superfície da água de modo a sentir as vibrações de um peixe em aproximação e ZÁS! toma lá um achigã que já almoçaste. Diz-se que também já foi vista a correr atrás de insectos, qual Strauss-Kahn de gabardine aberta e pendurezas ao léu, usando a elasticidade da película de água para se deslocar. O insecto conseguiu fugir mas diz que está em acompanhamento psicológico.

Aranha Tecedeira de Orbe Dourada

Este nome foi traduzido directamente do inglês Golden Orb Weaver mas quase nem se nota. Ora, também quase não preciso de explicar nada. Correcção, não preciso mesmo de explicar nada. É uma aranha que tece teias douradas e pelo que se vê na imagem consegue matar, comer e até sodomizar periquitos e pardais de telhado. Se ainda não tinha medo é melhor começar a pensar nisso.

Aranha Cuspideira

Uma verdadeira porca. Onde já se viu uma menina tão bonita a cuspir desta maneira? Que falta de educação, sinceramente. E nem sequer é bem cuspo; é antes uma mistura de cola, seda e veneno que prontamente envolve e imobiliza a refeição outrora vivaça da silva. Essa mixórdia pode atingir os 95 pés por segundo, estando portanto dentro dos limites de segurança de um jogo de paintball (280 pps).

Aranha de Bolas

Mais uma vez não tenho certeza que seja este o seu nome em português imperial, mas o que é facto é que a tipa tem uma bola – tal como o grande Lance Armstrong – e não tem medo de a usar. A parte gira é que aquela bola está impregnada de uma mistela que simula as feromonas de uma traça fêmea com o pito aos saltos. Ora, o macho vem ao cheiro da patareca e leva com aquela porcaria pegajosa em cima que se quilha. Desilusão das desilusões: vai um gajo a pensar em forrobodó e acaba por ser comido da pior maneira possível.

Aranha Atiradora de Teia

Mais um nome intrigante. O que fará esta criaturinha dos infernos, ein? Será fica imóvel durante horas à espera que um qualquer incauto insecto comestível passe ao seu alcance para lhe atirar uma teia para cima e ele, coitadinho, nem sabe o que lhe aconteceu, só sabe que está enrolado numa fina película branca e pensa de si para si “foda-se, então eu era uma pedra de haxixe e ninguém me disse?”.

Aranha Assassina

Foi criada pelo KGB nos anos 70 e quando o Muro caiu transferiu-se para a CIA porque ali havia sempre trabalho e os russos estavam falidos. Tem um aspecto que não se parece com nada, o que para quem tem um gosto especial em matar outras aranhas até deve dar algum jeitinho. Assim ninguém a reconhece na rua. Que se saiba é a única aranha com pescoço; um presente da Evolução. Se assim não fosse arrastaria aquelas presas descomunais pelo chão, o que para um assassino que se preze não deve ser muito práctico, digo eu.

Viúva Negra

Esta artista descobriu o equivalente aracnídeo à nossa bomba nuclear. Já se encontraram cobras mortas e a serem comidas lentamente por esta piquena. Claro, também pode matar humanos dependendo da idade e da fragilidade do sistema imunitário. O seu veneno é especialmente eficaz contra vertebrados e há uma coisa que talvez deva saber: as fêmeas raramente matam os machos depois de acasalarem. Preferem o típico cigarro pós-coito. Mas quando o macho se nega a comprar aquele tal casaco de peles ou chega a casa a cheirar a álcool a conversa já é outra.

Créditos das fotografias, nomenclatura de espécie e demais mariquices estão aqui. É procurar.

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