Tapetito na Ruela

Ora diz que o Tapete esteve na Rua e a verdade é que esteve mesmo só o tapete. Muito tapete e pouca gente, portanto. E ainda por cima à pressa.

Iniciativa inaugurada com poupa e circunstância, que em época de crise e cortes à samurai no orçamento não há pão para maluco. Um desfile de moda em regime “reciclar modelos antigos em corpos novos”, um espectáculo musical amador e um outro profissional, ambos para entreter sem entrar em grandes eloquências, marchas populares lisboetas em pleno Pavilhão Multiusos de Arraiolos, arraial sardinhal e mais umas coisitas corriqueiras aqui e ali para assegurar que efectivamente se passava alguma coisa na vila. De referência mesmo foi talvez um uorquechope de bateria e percussão, evento que falhei presenciar por vicissitudes quase alheias, mas diz-me fonte segura que foi um valente espectáculo.

Enfim, contra crises não há argumentos, ao que parece. O pouco engenho também não ajuda nada, tal como os inadjectiváveis outdoors que foram plantados na orla do vilarejo. Meus caros amigos, obreiros desta suposta festa: aquilo não se mostra a ninguém. Um cartaz hediondo orlado por quatro tubos de metal branco já ferrugento, por sua vez suportados por uma armação a fazer lembrar uma tenda canadiana já não se usa desde… Bem, será que alguma vez se usou? Nem a pobreza explica tamanha atrocidade, digo eu.

Todavia não se pode dizer que tenha sido tudo mau, até porque não foi. Este ano a malta compreende e desculpa o fiasco, mas para o ano não tenho tanta certeza. O dinheiro não é tudo nestas coisas de se organizar eventos e se não há o bom do carcanhol teremos de nos amanhar com outras coisas. Não só mais e melhores coisas caseiras, mas também mais e melhores colaborações exteriores. Obviamente estou, como se diz no jargão, a cagar sentenças, mas o que é um facto é que esta coisa do Tapete Está Na Rua precisa de um motor novo. Ou só de um carburador limpo. Ou de combustíveis alternativos. O que é não sei; há malta por aí que percebe mesmo destas merdas, mas sei que assim não vai a lado nenhum: acabará por definhar e cair em desuso.

E é isto.

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