De pretensões em construção

Um dos passos mais importantes para me balançar a favor do blog e demais devaneios literários é sem dúvida ler mais. Trocar as séries e os filmes e a vegetatividade televisiva e internáutica por livros, histórias escritas por mãos de gente, palavras, frases inteiras saídas de mentes ligeira ou grandemente delirantes, dependendo dos casos. Isso sintoniza-me de alguma forma com as humildes pretensões literárias que alimento – uma vez ao dia, ração de pão de centeio e água da chuva, para não engordarem. Não que me apeteça escrever assim que acabo um livro, mas lembrar-me que há quem escreva coisas interessantes neste mundo dá-me algum apoio, um parco suporte para o mirrado ego: “pá, estes gajos começaram pelo mesmo sítio que tu. Com calma, estupidez natural e principalmente muita dedicação, também hás-de escrever qualquer coisa decente… Um dia, quem sabe… Talvez… Assim muito talvez, mas aumentas as probabilidades com treino. Muito treino, jovem Padawan”.

Terminei ontem o Mister Vertigo do Paul Auster. Correndo o risco de parecer mais um energúmeno crítico literário de fim de semana fico-me mesmo pela declaração: a história é fixe e tal. Mas cada vez ligo menos à história. Procuro outras coisas naquela selva enorme e confusa. Procuro palavras. Procuro expressões. Procuro ritmos. Procuro as construções frásicas que fazem o leitor acelerar o passo e as outras que o fazem abrandar. Procuro os twists & turns no enredo e chego a reflectir por um segundo ou dois de que forma poderiam ser mais eficazes. Depois reflicto por mais um ou dois segundos sobre as historietas que tenho em banho-maria e de que forma essas ferramentas ainda desajeitadas que peço emprestadas me podem ajudar. Ando agora em franco processo de construção depois de um interregno demasiado arrastado e como aqui o bloguito é o meu estaleiro de eleição, mais tarde ou mais cedo vão começar a aparecer coisas. Ou não. Ou talvez isto seja apenas a confissão de desejos por cumprir. É esperar para ver. Mas numa de continuar esta formação e aproveitando recursos discutivelmente bem ganhos adquiri a título definitivo algumas peças de prateleira:

       

Não sei se serão bons ou maus, tal e qual o plantel do Sporting para a próxima época, mas na verdade não se pode esperar muito mal, nada mal mesmo, de cada um deles. Um Auster que ainda não me falhou, apesar da capa best-seller style (simulando um vómito), seguido de um clássico contemporâneo, de um sempre fabuloso Saramago e de uma novidade que é um verdadeiro colosso da ficção científica. Poderão ser uma porcaria, cada um deles à sua maneira, mas aposto que cada um deles à sua maneira me vai ensinar qualquer coisa por insignificante que seja. Porque no fundo é isso que os livros fazem: ensinam.

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