Star Wars: uma conversinha com George Lucas

George, só te desculpo o Jar-Jar Binks porque o R2D2 é o que se sabe: uma ganda máquina. O mesmo se passa com o Almirante Ackbar e aquele tipinho de valentes beiçanas que é o co-piloto do Calrissian. Que raio de personagens são essas, George? Porra, George! E aquele bicharoco que vive no asteróide onde Han Solo se refugia no Episódio V, como se alimentará ele, George? De Falcões Milenários? Ainda supondo que o gajo se alimente do vazio do espaço e que seja imune à falta de pressão, porque raio o Han, o Chewie e a Leia não usaram fatos pressurizados quando saíram da nave para abater os Mynocks? Hã, George? E mais: então o Jango Fett é um bruto da gadelha que encosta Kenobi às cordas, mas o seu clone Bobba leva meio par de estalos de um padawan, ainda que seja um Skywalker, e deixa-se morrer? Caraças, George.

Nem vou aqui entrar em cenas foleiras de lavagem de roupa suja e referir a regressão tecnológica e estética que a Galáxia muito, muito, muito distante sofreu desde que a República passou a Império, ou que os Jedi e os Sith do tempo das vacas gordas tinham um estilo de luta mais exuberante e interessante que o esgrima mal enjorcado do Darth Vader e do Luke. Nem vou por aí George, vê lá tu, porque o que eu lamento mesmo é que tenhas dispensado o romantismo e a complexidade das miniaturas e do látex em detrimento da simples e ilimitada Computer Generated Imagery. Bem sei que as bilheteiras não se apiedam dos românticos, mas também acho que um Yoda de borracha tem mais carisma que um desenho animado, principalmente quando se percebe perfeitamente que é um desenho animado. A CGI deve ser usada com parcimónia, George, digo eu e tu calas-te porque eu é que sei. Com parcimónia, dizia, e não como tu fizeste nos três primeiro episódios e ainda tiveste o desplante de espalhar aquela porcaria pelos outros três. George, o sarlacc agora é uma planta? Oh, pelamordedeus, George…

Mas sabes o que te safa no meio disto tudo, George? É aquela porcaria ser espetacular. Com todos os defeitos, inusitados ou propositados, aquela merda é mesmo fixe. Mesmo sendo duas trilogias separadas, e só assim se conseguem engolir, mesmo imaginando que são duas cabeças diferentes a contar a mesma história, curto mesmo aquilo. Oiço a música de entrada acompanhada das letras amarelas “Star Wars” e deixo de ser eu, no planeta Terra e na Via Láctea, e passo para essa tal Galáxia muito muito distante, há muito tempo atrás, de túnica e penteado estranho, com um sabre de luz preso ao cinto. Por conseguires fazer isso, George, por conseguires plantar essa história tão fundo na minha imaginação, e não há muitos que o consigam, é que te desculpo todas as patifarias que fizeste ao universo Star Wars nos últimos 12 anos.

Além de te desculpar, George, vou ainda mais longe e também te agradeço com vénia e tudo. Vê lá tu como sou magnânimo.

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