Finalmente o Outono

Engalfinhou-me quase sem dar por ele. Uma noite saio de casa de casaco, leve e com classe – um verdadeiro regalo para a vista, meninas – e na outra já se pede gabardina e guarda-chuva. Ansiava por isto apesar de bastarem duas semanas para atingir o estado de saturação. Mas para já, a chuva a bater nas telhas, a escorregar pelos beirados e a cair no chão em mil pequenas cascatas muito bem acompanhada pelo vento, entusiasmado pelo próprio regresso, soprando uma melopeia quase assustadora é a cena que mais me assiste. Finalmente puxar as mantas para cima e deixar-me embalar na melancolia invernal. Finalmente ler alguma coisa, descansado e tranquilo porque o mundo lá fora refugiou-se debaixo da sua própria manta lobeira. Finalmente escrever, escrever, escrever, conversas inconsequentes deste género ou pseudo-obras primas que só o são aos meus olhos e na maior parte das vezes nem assim, mas que se foda, a cada maluco a sua pancada. Finalmente ouvir Portishead, Radiohead e outras coisas genialmente deprimentes talvez acabadas em “head” com a sonoplastia de fundo – a supra referida chuva – apropriada. É claro que podia fazer todas estas coisas durante todas as estações do ano, chovendo ou fazendo sol, e bem que as fiz, caramba, mas é nesta altura que os prazeres solitários mais fazem sentido. Tal como a solidão em si. Se de facto faz sentido é agora. E já.

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2 pensamentos sobre “Finalmente o Outono

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