Cuidado: risco de filosofia barata!

Bem se sabe que ainda é cedo para o típico balancete anual do que se fez e não se fez, e de todas as possíveis variáveis dessas duas constantes. Porém, uma vez que o Natal é cada vez mais uma repetição dos anos transactos desde que quase recebi aquele camião dos Micro Machines em 91, mais vale passar à frente e chegar já ao fim do ano.

Por um lado doismilionze foi um ano vulgar – nem bom nem mau  -, mas por outro foi sem dúvida atípico por um simples e inexorável facto: foram descobertas metas. Metas, objectivos, horizontes, cruzes enormes a negro num mapa ainda algo difuso e sombrio, mas que será aos poucos completado e definido por linhas distintas e cores nítidas. Mas isso são coisas para se irem fazendo. Aos poucos, sempre aos poucos, mas com a galhardia característica de quem sabe o que quer, e que apesar de não saber muito bem como lá chegar, tem uma noção exacta da direcção a seguir. Não se iluda, aqui não se fala (só) de amores. Não, também há coisas menos elevadas mas mais prácticas à sobrevivência de um ego de 30 anos.

Balelas e mais balelas, tretas fúteis e ôcas de algibeira com laivos de filósofo zen de terceira apanha, dirá o pragmático e superficial leitor. Talvez, responderei eu, mas quero que se foda, completarei logo depois. Daqui é o que eu vejo e é isso apenas e só que me importa a mim, e não ao Mundo, essa criatura bem mais problemática do que este jagunço de bastas patilhas.

No novo ano que aí se abeira talvez se deixe de fumar. Talvez se comece a ir à natação com frequência. Talvez até me inscreva num ginásio ou saia para correr pelo campo ao pôr-do-sol. Talvez se coma mais fruta e se fume menos herbáceas. Talvez se estude ainda mais e talvez se queira mais quem já se quer tanto. Talvez se escreva mais, talvez se fotografe mais, talvez até se descubra outro meio talento parecido. Talvez isto aconteça tudo ou talvez não aconteça nada. De quanto valem essas resoluções se nunca estamos de facto comprometidos com elas? De quanto valem se nunca entendemos verdadeiramente o poder de uma decisão resoluta, o poder da vontade pura? De quanto valem se nunca estamos dispostos a fazer alguma coisa por nós mesmos?

Por que remamos quando é o leme que vai solto?

Boas Festas, gadulagem.

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