Quase cinco meses depois…

No momento em que estas palavras são batidas no teclado estou com um saldo negativo em horas de sono que só encontra paralelo no défice económico português. Não só no económico, claro, pois que neste paíszinho a fingir há défice de muita coisa; de cultura, de atitude, de civilidade, de bom senso e principalmente de mulatas pernilongas das quais Rihanna é o arquétipo e expoente máximo.

Não, não fui viver para um autocarro abandonado e empanturrar-me de bagas todo o dia, como o +ultimo post poderia sugerir; ou melhor, fiz um retiro, sim, mas só mesmo da internet. Tinha chegado a um ponto em que qualquer segundo que passasse ligado à rede, lendo ou escrevendo – e em que não visse qualquer tipo de pornografia – era considerado pela minha própria consciência como tempo perdido, desperdiçado, esbanjado, jogado ao vento para nunca mais ser recuperado, e ainda pior: sentia a minha alma regredir na mesma medida. São fases, senhor, são fases, para o bem e para o mal; que mais tarde ou mais cedo a verborreia começa a subir qual fluência magmática vesuviana, explodindo por fim e enterrando tudo, não em lava e cinzas, mas em caracteres espalhados mais ou menos ao acaso e mais ou menos dando corpo a ideias que não são. Nem teriam por que ser. Adiante.

Estou deslocado, veja só. Deslocado numa terriola com laivos de cidade situada acima do Tejo, mas não tão acima que se evite a alarve mosquitagem e o ocasional cheiro mofando de águas por tratar e coisas mortas embutidas no lodo. Estou deslocado, dizia, por vias de uma espécie de formação em contexto laboral numa conhecida fábrica de quinquilharia aeronáutica e sob a qual não posso revelar mais que isto: têm sanitas turcas nos lavabos – o que a meu ver é uma espécie de contra-senso para quem faz negócio num ramo que tenta constantemente reduzir o risco de acidentes. Mas pronto, isso sou eu que embirro com tudo.

E assim, em dois parágrafos e meio, justifica-se uma ausência blogocoisinha muito sentida por dois leitores (um deles pago por mim) e explica sucintamente o que se anda a fazer nos infernais dias que correm. Até parece fácil.

 

Imagem: IWDRM

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