Retratos de Mundividência

Segue esta reflexão ao ritmo errante e frenético das boas reflexões, mesmo daquelas que nada concretizam – dizem os entendidos que escrever faz bem e comer fruta ainda faz melhor – e se o Pedrito Passos Coelhito pode prosar como um mancebídeo do preparatório depois de nos (tentar) enrabar à grande outra vez, também eu posso discorrer verborreias inconsequentes e nem sequer tenho as intenções sodomitas do Passos. Certo? Certo. Ainda sobre esta situação do Pedro, quero dizer mais uma coisita: pá, não basta a enrabadela? Ainda temos que apanhar com apologias e mais apologias, faladas ou tristemente escritas, de quem chibata o povo e depois lhe passa a mão pelo pêlo porque o povo esse é do mais manso que há e ele (o Pedro), bem sabe que Ele (o Povo) nunca morderá quem manda, e se o fizer é com florinhas e cantigas de amigo para depois termos uma história bonita para contar aos netinhos.

Não percebo do que se admira o comum português. Refiro-me obviamente às jiga-jogas financeiras e do aperto do cinto, da austeridade e do rápido definhar do país. Ora, se há trinta e oito anos que vendemos isto à Europa para podermos curtir rapidamente a recém conseguida liberdade; se há trinta e oito anos esbanjamos em bricabraques e pechisbeques tudo o que essa venda rendeu; se desde há trinta e oito anos se continua a votar nos mesmos cabrestos e ainda se arranja tempo para os fazer regressar como se fossem filhos pródigos; se há trinta e oito anos que conhecemos os chulos e os econopatas da nossa praça e não lhes espetamos as cabeças em paus; se deixamos isto tudo acontecer porque joga o Benfica, o Sporting e o Porto, ou porque a tesuda da Juliana Paes agora é a Gabriela-que-lhe-levava-com-o-pau-de-canela, se deixamos isto tudo acontecer, dizia, é porque somos mesmo pequeninos e aquelas épocas épicas das Conquistas, das Descobertas e das Revoluções não passaram de meros acidentes de percurso, meras singularidades do Universo, e se assim é, a nossa sina, o nosso fado, é sermos pobrezinhos de bolso porque de facto somos pobrezinhos de espírito.

Mas não temai, meu desesperado cidadão. Não seremos pobrezinhos para sempre. Sabe porquê? Porque mais tarde ou mais cedo, de preferência neste ano da desgraça de 2012, uma raça extraterrestre de uma inteligência e bom senso muitas vezes superiores aos dotes humanos descerá dos céus e queimará todo o dinheiro à face da Terra. Aquele que existe em papel e metal barato e aquele que existe dentro dos computadores. Estou a falar a sério. Tive um sonho.

Imagem: IWDRM

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