Alfa Centauri a uma bolha de distância

Lembras-te do E.T.? Mora ali naquele risco.

Aprende-se na escola e na maioria dos programas de televisão – com a óbvia excepção da Casa dos Segredos – que nada viaja mais rápido que a luz. E de facto ainda não se encontraram provas do contrário, apesar de Usain Bolt tentar constantemente contrariar esse axioma. Ora, dito isto, que nada se move mais rápido que a luz, sobram-nos poucas alternativas no que diz respeito a viajar pelo Universo numa escala humanamente confortável. Mas há alternativas, todavia.

A teoria

Imagine então que em vez de nos movimentar-mos numa dada distância, dobramos o espaço e o tempo à nossa volta de forma a que o nosso destino nos surja à frente, como pura magia ou a mais comum das ficções científicas. Atenção, que isto em teoria é possível: “nada se move mais rápido que a luz, mas o espaço-tempo pode ser expandido e contraído a qualquer velocidade” , diz Harold White, o gajo da NASA que anda a ver se encontra a tal galáxia mesmo muito distante.

Uma bolha warp – uma bolha de diâmetro controlado que distorce o espaço-tempo à sua volta – pode ser criada usando a formula postulada por Miguel Alcubierre em 1994 e a forma da Dobra Espacial. Pode ser criada, mas ainda não foi; isto é simples teoria e dedução. Mas é a partir daí que tudo se cria, certo? Ora, como se pode ver na imagem abaixo, expande-se o espaço-tempo de um lado e contrai-se do outro (curva positiva e curva negativa, respectivamente) com o veículo estacionado numa porção de continuum inalterado. Assim, a montanha chega a Maomé (literalmente) e os passageiros terão a sensação de movimento mas sem qualquer aceleração porque de facto não se movem!

A bolha de Alcubierre, expandindo e contraíndo o expaço-tempo à sua volta

Depois da teoria-base, vamos ao resto. Matematicamente falando, foi também postulado que a quantidade de energia necessária para se obter a bolha warp seria estupidamente elevada, equivalente à massa de Júpiter, vá, e não seria gasóleo com certeza. Os cientistas chamam a esse combustível matéria exótica, claramente porque ainda não sabem bem do que se trata. Será bio-diesel? Ou gasolina 2798 octanas? Veremos.

Voltando ao nosso amigo Harold White, o tipo descobriu – matematicamente – que alterando a forma do anel energético de Alcubierre que cria a bolha warp, da original superfície estreita para a forma de um donut mais espesso e oscilando-o, a quantidade de energia necessária para criar a dita bolha e a controlar diminui dramaticamente. Tão dramaticamente que deixamos de precisar de um planeta gigante de matéria exótica para precisarmos apenas de umas centenas de quilos. Sim, a matemática é mesmo fascinante.

“Chewie, charge the hyperdrive”

Com a teoria toda posta no papel e confirmada a sua plausibilidade através dos modelos matemáticos vistos e revistos, é altura de vestir a bata branca e trancar o laboratório por dentro. Usando um interferómetro de Michelson-Morley, dispositivo criado em 1887 (!) para medir perturbações microscópicas no éter, hoje conhecido como espaço, White espera detectar ele também as micro bolhas-warp que tentará criar com os seus lasers e anéis de capacitadores cerâmicos carregados com dezenas de milhar de volts. Caramba, aquilo é que deve ser um laboratório interessante!

Portanto, está tudo a postos para a chegada da nova era espacial. Agora é esperar, sem deixar de notar que estamos – Harold White e o Mundo – a um passo de atestar mais uma vez que é a ficção científica que guia a Humanidade e não as futilidades que nos enchem os ecrãs de televisão e os computadores. Apesar das crises económicas e de resultados desportivos da outrora grande agremiação futebolística, vivem-se tempos excitantes.

Mas o que acontecerá quando White conseguir de facto criar uma bolha warp? Olharemos para as estrelas ou continuaremos a olhar para o vazio que teimamos em ser?

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